Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) compartilharam massivamente informações de uma live realizada na sexta-feira (4) pelo influenciador argentino Fernando Cerimedo, dono do canal La Derecha Diário, onde divulgou um dossiê apócrifo com uma série de informações sobre as urnas eletrônicas para levantar suspeitas sobre a vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (30).
No vídeo, Cerimedo afirma ter recebido um relatório do Brasil, indicando que cinco modelos de urnas eletrônicas usadas na eleição deste ano registraram mais votos para Lula do que para Bolsonaro. Segundo ele, esses modelos mais antigos não foram submetidos aos testes de segurança dos modelos de urnas de 2020.
Ele afirmou, sem apresentar provas, que nas urnas anteriores a 2020, Lula venceu Bolsonaro com oito pontos percentuais de vantagem, enquanto que nas urnas que teriam sido auditadas por peritos de universidades federais e das Forças Armadas, o atual presidente venceu com 1,3 ponto de vantagem sobre o petista.
Pouco tempo após a live, descobriu-se que Fernando Cerimedo tem ligação com o filho mais novo do atual presidente, Eduardo Bolsonaro. As informações divulgadas por Cerimedo na live, no entanto, não são verdadeiras. Tanto que perfis de autoridades que as compartilharam foram removidos das redes sociais, como o do deputado federal eleito Nikolas Ferreira e dos cantores Latino e Zezé di Camargo.
O TSE, por meia de nota, desmentiu todo o conteúdo apresentado pelo argentino na live:
— “Não é verdade que os modelos anteriores das urnas eletrônicas não passaram por procedimentos de auditoria e fiscalização. Os equipamentos antigos já estão em uso desde 2010 (para as urnas modelo 2009 e 2010) e todos foram utilizadas nas Eleições 2018. Nesse período, esses modelos de urna já foram submetidos a diversas análises e auditorias, tais como a Auditoria Especial do PSDB em 2015 e cinco edições do Teste Público de Segurança (2012, 2016, 2017, 2019 e 2021)”, afirma o tribunal.
Ainda de acordo com o TSE, as urnas eletrônicas modelo 2020 que ainda não estavam prontas no período de realização dos testes de 2021 foram testadas por três universidades e o software em uso nos equipamentos antigos é o mesmo empregado nos equipamentos mais novos. “Nas três avaliações, não foi encontrada nenhuma fragilidade ou mesmo indício de vulnerabilidade”.
— “Por fim, ressalta-se que todas as urnas são auditadas e elas são um hardware, ou seja, um aparelho. O que importa é o que roda dentro dela, ou seja, o programa, que ficou aberto por um ano para todas as entidades fiscalizadoras. O software da urna é único em todos os modelos, tendo sido divulgado, lacrado e assinado”, afirma o TSE.
Portanto, a análise do Detetive 68 é de que a comprovação de fraude das urnas por live argentina é uma FAKE NEWS.




















