NOSSA HISTÓRIA

#TBT do Acre: o assassinato da Professora Rosalina


Hoje o TBT falará de uma tragédia que jamais foi esquecida, não importa quanto tempo tenha passado. Ocorrido há mais de 80 anos, o assassinato da professora Rosalina até hoje é lembrado pelos moradores mais antigos de Rio Branco. Um crime passional de um romance que jamais aconteceu.

Em meados dos anos 1920, foi construído em Rio Branco o quartel da Força Policial do Território do Acre, o prédio está de pé ainda hoje, onde funciona o atual quartel da Polícia Militar na Praça da Revolução. Ao lado do quartel, foi construído um presídio, que depois passou a ser Hotel Chuí e hoje funciona a sede da Prefeitura de Rio Branco.

Estava preso naquele presídio um homem de nome Lázaro, perigoso e temido. O pátio do fundo do presídio não tinha muros e apenas era dividido por um alambrado. Quem ali estivesse preso, poderia ver os moradores circulando pelas ruas. Foi assim que Lázaro avistou a professora Rosalina pela primeira vez, andando em direção à escola em que dava aulas.

Quem a conhecera a descreveu como uma jovem doce e simpática, de beleza pura e inocente. Dizem que Lázaro se apaixonou fortemente por ela, mas jamais teve coragem de declarar seu amor, afinal, era um presidiário analfabeto que certamente não seria aceito pela família de Rosalina.

Mas toda a história ocorreu por um erro de um amigo de Lázaro, o único que lhe visitava na prisão. Um jornalista de nome Praxedes. O amigo logo viu como Lázaro mudou o comportamento na cadeia e estava mais feliz. Vendo aquela como uma esperança para que o amigo aceitasse largar o mundo dos crimes ao sair da prisão, Praxedes prometera escrever uma carta em seu nome para Rosalina, o que teria alegrado Lázaro, mas na verdade o jornalista jamais teve a intenção de enviá-la.

Alguns dias se passaram e Lázaro cobrava impacientemente pela resposta de Rosalina, até que Praxedes decidiu escrever de volta, se passando pela moça e com um erro trágico, correspondendo ao amor proibido. A farsa funcionou por algum tempo, mas o que era inevitável havia acontecido… Rosalina se apaixonara por um piloto de avião que sempre vinha ao Acre e este lhe pediu em casamento.

Com data marcada, Rosalina estava feliz e animada, mas Praxedes estava em uma saia justa, como explicaria o fato para seu amigo presidiário? É então que ele decide escrever uma carta se passando novamente por Rosalina e rompendo o que havia alimentado. Na carta, a suposta Rosalina lhe dizia que queria apenas sua amizade e que sua família jamais aceitaria esse romance. Lázaro ficou furioso.

Com um cruel acaso do destino, na época os presidiários eram responsáveis pela limpeza urbana das vias e Lázaro foi enviado para fazer a limpeza na rua juntamente com alguns presos. É válido lembrar que apenas Praxedes conhecia seu amor proibido. Em 25 de novembro de 1941, Lázaro avistou Rosalina a caminho do Grupo Escolar 7 de Setembro, em frente onde hoje é o Colégio de Aplicação para dar aulas na escola. Inconformado, Lázaro pegou seu facão, correu até ela e atravessou o coração da moça, que nem mesmo imaginava porque aquilo estava acontecendo.

Até hoje, o túmulo de Rosalina é um dos mais visitados do cemitério São João Batista. A família da jovem deixou o Acre logo após o ocorrido.

O TBT de hoje teve como fonte o livro Histórias Acreanas no Miolo do Pote, de autoria do historiador Marcos Vinícius Neves

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André Diogo