Filme que Investiga Alegado Uso de Inteligência Artificial em Operações Militares Israelenses em Gaza Recebeu Ovação do Público Durante Sua Estreia
O documentário “Naza”, que investiga o uso de sistemas apoiados por inteligência artificial na identificação e no rastreamento de alvos militares em Gaza, conquistou o Prêmio Especial do Júri na 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza. A premiação ocorreu no sábado, após uma estreia marcada por uma prolongada ovação do público.
Dirigido pelos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, o filme tem aproximadamente 80 minutos e reúne depoimentos de 24 militares e integrantes da inteligência israelense. Os entrevistados aparecem de forma anônima e relatam, segundo os realizadores, aspectos de operações conduzidas durante a guerra em Gaza.
“Naza” foi o único documentário entre os 21 filmes que disputaram o principal prêmio da competição oficial do festival. O Leão de Ouro de melhor filme ficou com “Woman Unknown”, dirigido por May el-Toukhy e estrelado por John Malkovich.
Ovação de 25 Minutos Marca Estreia de “Naza” em Veneza
A primeira exibição de “Naza”, realizada em 10 de setembro, provocou uma ovação de aproximadamente 25 minutos, segundo relatos sobre a sessão.
A recepção superou a expectativa de que o filme pudesse repetir a repercussão de “The Voice of Hind Rajab”, produção relacionada à guerra em Gaza que recebeu destaque no Festival de Veneza de 2025.
O desempenho do documentário colocou novamente o conflito entre Israel e Hamas no centro do debate cinematográfico internacional, pelo segundo ano consecutivo.
O Que “Naza” Investiga Sobre Inteligência Artificial em Gaza
O documentário aborda sistemas tecnológicos empregados pelas forças israelenses para auxiliar na identificação de possíveis alvos em Gaza.
O título do filme faz referência a um termo utilizado no contexto militar israelense para designar uma estimativa do número de civis que poderiam morrer em determinado ataque aéreo.
A produção apresenta relatos de militares e agentes de inteligência que, de acordo com os diretores, descrevem processos de seleção de alvos e operações militares realizados durante o conflito.
Entre os principais questionamentos levantados pelo filme está o grau de participação de sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial em decisões relacionadas a ataques.
Diretor Faz Discurso Político Durante Entrega do Prêmio
Durante o discurso de aceitação do prêmio, Yuval Abraham afirmou que os entrevistados israelenses ouvidos pela produção descreveram a morte de palestinos como resultado de um processo que, na visão deles, seria sistêmico e deliberado.
O diretor também mencionou vítimas palestinas durante seu pronunciamento e pediu que o documentário fosse assistido por públicos de Israel, da Europa e dos Estados Unidos.
Abraham afirmou que o filme deveria estimular um debate sobre a responsabilidade de Israel pelas ações militares realizadas na Faixa de Gaza.
As declarações transformaram a cerimônia de premiação em mais um momento de discussão sobre a guerra e sobre o papel do cinema na documentação de conflitos armados.
Forças de Defesa de Israel Contestam Afirmações Apresentadas no Filme
As Forças de Defesa de Israel (FDI) rejeitaram as alegações apresentadas em “Naza”.
Segundo a posição atribuída às FDI, as decisões relacionadas à seleção e à aprovação de ataques são tomadas por pessoal humano, e não exclusivamente por sistemas de inteligência artificial.
As forças israelenses também afirmam atuar de acordo com o direito internacional e questionam a possibilidade de verificar de forma independente a identidade e os relatos dos entrevistados que aparecem anonimamente no documentário.
O contraponto é relevante porque parte significativa das afirmações apresentadas pela produção depende dos depoimentos de fontes que não tiveram suas identidades divulgadas publicamente.
“Naza” tem Produção Ligada ao The Guardian
O documentário foi produzido pelo The Guardian e por James Wilson, com participação do cineasta Jonathan Glazer como produtor executivo.
Glazer dirigiu “The Zone of Interest”, filme que recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024.
Os diretores Yuval Abraham e Rachel Szor também participaram da realização de “No Other Land”, documentário que ganhou o Oscar no início de 2026 e aborda a situação dos palestinos na Cisjordânia.
A trajetória dos realizadores ajudou a colocar “Naza” entre as produções de maior repercussão política da edição deste ano do Festival de Veneza.
Segundo Documentário sobre Gaza a Disputar o Prêmio Principal em Dois Anos
A presença de “Naza” na competição oficial representa o segundo ano consecutivo em que um documentário relacionado à guerra em Gaza disputa o Leão de Ouro.
Em 2025, “The Voice of Hind Rajab” chamou atenção internacional ao abordar a história de uma menina palestina morta durante o conflito e recebeu um dos principais prêmios da competição.
A sequência reforça o espaço que produções sobre a guerra Israel-Hamas vêm ocupando em grandes festivais internacionais de cinema.
Guerra em Gaza Segue no Centro das Discussões Internacionais
O conflito iniciado em outubro de 2023 provocou uma grave crise humanitária na Faixa de Gaza e gerou acusações contra Israel relacionadas à condução das operações militares.
Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, citados nas informações sobre o documentário, aproximadamente 73.500 palestinos haviam sido mortos desde o início da guerra.
Os números divulgados pelas autoridades de Gaza são amplamente utilizados em levantamentos sobre o conflito, embora a atribuição e a verificação individual das mortes permaneçam questões importantes na cobertura jornalística.
Israel, por sua vez, afirma que suas operações têm como objetivo combater o Hamas e sustenta que procura cumprir as normas do direito internacional.
Por Que “Naza” Ganhou Relevância além do Cinema?
A premiação de “Naza” ocorre em meio a um debate internacional cada vez maior sobre o emprego de inteligência artificial em guerras.
O uso de tecnologias capazes de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e auxiliar na localização de possíveis alvos militares levanta questões sobre:
- responsabilidade humana em decisões de ataque;
- transparência no uso de sistemas automatizados;
- proteção de civis em zonas de conflito;
- limites éticos da inteligência artificial na guerra;
- aplicação do direito internacional humanitário;
- responsabilidade por decisões tomadas com auxílio de algoritmos.
Nesse contexto, o documentário ultrapassa o ambiente cinematográfico e se insere em uma discussão mais ampla sobre tecnologia, guerra e responsabilidade humana.
“Naza” Transforma Tecnologia e Guerra em Debate Público
Ao receber o Prêmio Especial do Júri em Veneza, “Naza” consolidou sua presença no circuito internacional de cinema e ampliou a visibilidade do debate sobre as operações israelenses em Gaza.
O filme apresenta relatos e acusações que são contestados pelas Forças de Defesa de Israel, tornando essencial que as diferentes posições sejam consideradas na análise de suas conclusões.
Mais do que uma produção sobre um conflito específico, o documentário coloca em discussão uma questão que deve ganhar importância nos próximos anos: até onde sistemas de inteligência artificial podem participar de decisões relacionadas à vida e à morte em uma guerra — e quem deve responder por essas decisões?
O que é o documentário “Naza”?
“Naza” é um documentário dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor que investiga operações militares israelenses em Gaza e o possível uso de sistemas apoiados por inteligência artificial na identificação de alvos.
Qual prêmio “Naza” ganhou em Veneza?
O filme recebeu o Prêmio Especial do Júri na 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Quem dirigiu “Naza”?
O documentário foi codirigido pelos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor.
O que Israel diz sobre as acusações apresentadas no filme?
As Forças de Defesa de Israel contestam as alegações e afirmam que decisões sobre seleção e aprovação de ataques são tomadas por pessoas, e não por inteligência artificial de forma autônoma. Também sustentam que suas operações seguem o direito internacional.
Qual é a relação de “Naza” com “No Other Land”?
Os diretores Yuval Abraham e Rachel Szor também participaram da produção de “No Other Land”, documentário que ganhou o Oscar em 2026.




















