Antes das eleições, era quase unânime ouvir dizer que se Jorge Viana voltasse a ser candidato ao Governo do Acre, não teria para ninguém. Mas não foi isso que vem sendo visto, a pesquisa do Ipec divulgada nesta segunda, dia 19, encomendada pela Rede Amazônica, mostra a avalanche causada por Gladson Cameli diante de seus adversários, muitos deles sendo nomes tradicionais da política acreana.
Há muitos anos não se via uma eleição com tantos nomes conhecidos, Sérgio Petecão, Marcio Bittar, Jorge Viana, e a deputada mais votada nas eleições de 2018, Mara Rocha, são exemplos disso. Ainda assim, Gladson conseguiu se destacar, sendo apontado a possibilidade de vitória em primeiro turno em muitas das pesquisas. Na do Ipec divulgada ontem, aparece com 54% das intenções de voto na estimulada, mais que o dobro da porcentagem obtida por Jorge Viana, 25%. A soma de todos os seus adversários dá 40%, o que traz para o governador uma boa margem para acreditar no primeiro turno.
→ Veja a pesquisa do Ipec divulgada nesta segunda-feira
O fenômeno Cameli
Gladson Cameli é um fenômeno não por seus feitos, há coisas que ficaram a desejar em sua primeira gestão como governador, mas ele possui um álibi… A pandemia. Ela pode não justificar todos os feitos e ‘não-feitos’, mas é aceita pela população. Diferente de Bolsonaro, a quem diz apoiar, Cameli tomou atitudes completamente diferentes, não estimulou imunidade de rebanho, tratamentos precoces, pediu por diversas vezes que as pessoas tivessem cuidado, tomou medidas duras quando necessário e foi ativista pela vacina, incentivando milhares de pessoas através do #MimDêQueEuTomo. Todas as atitudes foram reconhecidas pelo público, que perdidos em uma situação inédita e caótica, clamavam por um direcionamento — e Gladson deu.
A pandemia só veio em 2020 e Gladson tomou posse em 2019, naquele ano, culpou a gestão de Tião Viana, que segundo o próprio governador deixou uma dívida de R$ 6 bilhões. “Eu só tive 6 meses para governar, meu maior projeto foi salvar vidas na pandemia”, é o que vem dizendo em alguns discursos.
Nem mesmo o escândalo causado pela Operação Ptolomeu, que investiga indícios de corrupção no Governo, foi suficiente para diminuir seu carisma perante o eleitorado. Eleitorado esse que Gladson sempre ouviu, exemplo disso é sua desistência em ter Marcia Bittar como vice, que lhe causou uma tremenda dor de cabeça e perda de apoios importantes, mas que manteve o pulso firme. O problema não foram as suspeitas de corrupção em si, elas existem e seguem em investigação, mas sim aqueles que o acusavam em público, que não são vistos como “exemplos” de boa fé.
O público é muito enfático ao dizer “não se salva um” nessa disputa. Talvez uma eleição com tantas caras conhecidas até o favoreça nesse sentido. Petecão é conhecido por ser politiqueiro de campanha, Marcio Bittar se desencontrou com seus propósitos políticos ao demonstrar demais seus objetivos pessoais. Já Jorge Viana, enfrenta um pesado sentimento antipetista que nem mesmo o “efeito Lula” foi capaz de amenizar.
O povo cansou de velhas caras e viram no “menino” carismático e engraçado uma nova imagem do Acre. De alguma forma, ainda que os opositores destaquem promessas que dizem ter sido quebradas, os acreanos viram uma identificação em Gladson, como se estivessem dispostos a ajudá-lo a governar. Isso é demonstrado pelo fato de quanto mais apoio Gladson vem perdendo, mais confiança do eleitorado ganha (refletido nas pesquisas). Desde que foi eleito, rompeu com os Rocha, Petecão, com a cúpula do MDB e Bittar, três representantes desses “clãs políticos” hoje são seus adversários. Há de se questionar: o público culpará as promessas quebradas de Cameli ou está vendo ele se afastar de figuras já carimbadas?
O desempenho de Gladson foi visto até com surpresa por seus opositores e antes que duvidem de sua força, se questionem: Gladson já perdeu alguma eleição? Se candidatou a primeira vez em 2010 para deputado federal, sendo eleito com mais de 30 mil votos. Em 2014 foi eleito para única cadeira disponível no Senado, derrotando Perpétua Almeida e Roberto Duarte. Já em 2018 venceu em primeiro turno Marcus Alexandre, dando fim a uma “dinastia” de 20 anos de governos do PT. “Ah, mas com o dinheiro que tinha fica fácil”. Prevendo esse questionamento, respondo: se apenas dinheiro fosse suficiente para disparar em eleições, Marcio Bittar teria mais de 3% das intenções de voto, não?




















