Proposta Cria Política Nacional para Minerais Estratégicos e pode Transformar o Brasil em Potência Global na Cadeia de Terras Raras
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (6) o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), iniciativa que prevê um fundo garantidor e incentivos tributários para estimular a exploração e o processamento de minerais considerados essenciais para a economia global e o avanço tecnológico.
O texto segue agora para análise do Senado e, se aprovado, dependerá da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os principais pontos da proposta estão a autorização para criação de um fundo garantidor voltado ao setor mineral e a concessão de até R$ 5 bilhões em créditos tributários para empresas que investirem no beneficiamento de minerais no Brasil.
O Que são Minerais Críticos e Estratégicos?
Os chamados minerais críticos e estratégicos incluem elementos fundamentais para tecnologias modernas e para a transição energética mundial. Nesse grupo estão:
- Lítio
- Níquel
- Cobalto
- Grafite
- Terras raras
- Nióbio
Esses materiais são utilizados na fabricação de:
- Baterias de veículos elétricos
- Turbinas eólicas
- Painéis solares
- Semicondutores
- Sistemas de armazenamento de energia
- Equipamentos de inteligência artificial
Segundo dados internacionais, o Brasil possui:
- A maior reserva mundial de nióbio;
- A segunda maior reserva de grafita e terras raras;
- A terceira maior reserva de níquel do planeta.
Projeto Cria Fundo Garantidor para Mineração
O texto autoriza a União a criar o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com participação pública limitada a R$ 2 bilhões.
O mecanismo terá natureza privada e foi desenhado para facilitar o acesso das mineradoras ao crédito, oferecendo garantias financeiras em operações de financiamento.
Segundo estimativas do BNDES, cerca de R$ 5 bilhões seriam necessários para destravar projetos estratégicos no setor.
O fundo poderá receber recursos de:
- União
- Estados e municípios
- Distrito Federal
- Aplicações financeiras
- Contribuições voluntárias
A governança ficará sob responsabilidade de um comitê gestor.
Incentivos para Industrialização no Brasil
Além da exploração mineral, o projeto busca estimular a agregação de valor dentro do país.
Hoje, grande parte dos minerais brasileiros ainda é exportada em estado bruto, sem processamento industrial avançado.
Para mudar esse cenário, a proposta cria o:
Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE)
O programa concederá créditos fiscais entre 2030 e 2034 para empresas brasileiras que realizarem investimentos no processamento de minerais no território nacional.
O limite será de:
- R$ 1 bilhão por ano
- Total de até R$ 5 bilhões
Empresas terão Benefícios Maiores Conforme Avançarem na Cadeia Produtiva
O texto estabelece uma espécie de escala de incentivos, priorizando empresas que avancem no beneficiamento industrial.
Entre os produtos contemplados estão:
- Concentrados minerais
- Materiais para baterias
- Componentes para ímãs permanentes
- Fertilizantes
- Sistemas de armazenamento de energia
Empresas que firmarem contratos de longo prazo também poderão receber incentivos.
Conselho Ligado à Presidência terá poder Estratégico
O projeto também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República.
O órgão será responsável por:
- Definir a lista oficial de minerais estratégicos;
- Homologar operações envolvendo empresas do setor;
- Avaliar acordos internacionais;
- Monitorar questões ligadas à segurança econômica e geopolítica.
A composição do conselho terá representantes:
- Do governo federal
- Dos estados
- Dos municípios
- Do setor privado
- Da sociedade civil
Tema Ganha Relevância Global e pode Entrar na Pauta entre Lula e Trump
A aprovação ocorre na véspera do encontro entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.
O controle e fornecimento de minerais estratégicos têm sido considerados temas centrais na disputa geopolítica global, especialmente diante do avanço da inteligência artificial, da eletrificação automotiva e da transição energética.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou a importância estratégica do tema:
“Não tem tecnologia sem a exploração das terras raras e dos minerais críticos.”
Oposição Critica Proposta
Apesar da ampla aprovação, partidos como PSOL e Novo fizeram críticas ao projeto.
O líder do PSOL, Tarcísio Motta (RJ), afirmou que a proposta não garante industrialização suficiente no país e pode favorecer apenas a exportação de commodities minerais.
Segundo ele, o Brasil deveria discutir um modelo semelhante ao da exploração do petróleo, com maior participação estatal.
Leilões e Rastreabilidade
A proposta também prevê:
Prioridade em leilões da ANM
Áreas com potencial para minerais estratégicos terão prioridade nos leilões da Agência Nacional de Mineração.
Sistema de rastreabilidade
Será criado um mecanismo para monitorar a cadeia produtiva e combater irregularidades.
Cadastro nacional
Todos os projetos ligados aos minerais críticos deverão integrar um cadastro nacional específico.
A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos marca um passo importante para o Brasil tentar ampliar sua participação em um mercado considerado decisivo para o futuro da economia global. Com reservas expressivas de terras raras, lítio, níquel e grafite, o país busca deixar de ser apenas exportador de matéria-prima e avançar na industrialização e no desenvolvimento tecnológico ligado à transição energética e à inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, o debate sobre soberania, controle estatal e agregação de valor dentro do território nacional deve continuar no Senado e entre especialistas do setor.
E você, acredita que o Brasil está preparado para se tornar uma potência global em minerais estratégicos? O país deveria investir mais em industrialização antes de exportar esses recursos?
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O que são terras raras?
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de tecnologias modernas, como baterias de carros elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, semicondutores e equipamentos de inteligência artificial.
O que a Câmara dos Deputados aprovou?
Os deputados aprovaram o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), além de um fundo garantidor e incentivos fiscais para estimular a exploração e o processamento desses minerais no Brasil.
O projeto já está valendo?
Não. O texto ainda será analisado pelo Senado Federal. Se aprovado, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Qual será o valor do fundo garantidor?
O projeto autoriza a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), que poderá movimentar até R$ 5 bilhões para apoiar projetos no setor mineral.
Qual será a participação da União no fundo?
A União poderá participar como cotista em até R$ 2 bilhões, mas o fundo terá natureza privada e não contará com garantia direta do poder público.
Quais minerais são considerados estratégicos?
Entre os principais minerais estratégicos estão:
- Lítio
- Níquel
- Cobalto
- Grafite
- Terras raras
- Nióbio
Por que esses minerais são importantes?
Eles são fundamentais para:
- Veículos elétricos
- Energia renovável
- Sistemas de armazenamento de energia
- Inteligência artificial
- Indústria tecnológica
- Transição energética global
O Brasil possui grandes reservas desses minerais?
Sim. O Brasil possui:
- A maior reserva de nióbio do mundo;
- A segunda maior reserva de terras raras e grafita;
- A terceira maior reserva de níquel.
O que muda para as empresas do setor?
Empresas brasileiras poderão acessar:
- Crédito tributário;
- Incentivos para industrialização;
- Maior acesso a financiamentos;
- Programas de beneficiamento mineral.
O projeto prevê incentivo à industrialização?
Sim. O texto cria mecanismos para estimular o processamento e a transformação dos minerais dentro do Brasil, reduzindo a exportação de matéria-prima bruta.
O que é o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos?
Será um órgão ligado à Presidência da República responsável por acompanhar operações estratégicas, homologar projetos e monitorar questões ligadas à segurança econômica e geopolítica do setor mineral.
Quando os incentivos fiscais começarão?
Os créditos fiscais deverão ser concedidos entre 2030 e 2034, com limite anual de R$ 1 bilhão.
O projeto recebeu críticas?
Sim. Parlamentares da oposição, especialmente do PSOL, afirmam que o texto ainda é insuficiente para garantir maior controle estatal e agregação de valor no país.
Por que o tema ganhou destaque internacional?
O controle de minerais estratégicos virou prioridade global devido ao crescimento da inteligência artificial, da transição energética e da disputa tecnológica entre grandes potências como Estados Unidos e China.




















