Enquanto Lula mexe no tabuleiro da política nacional, Bocalom baixa o sarrafo em trabalhadores na capital


Cartas na mesa

Quando o ministro do Supremo tribunal federal (STF), Edson Fachin, anulou as condenações do ex-presidente Lula, tornando-o elegível novamente, mexeu de forma sui generis no jogo político do país. Acordou um atônito Bolsonaro, isso é fato. Mas também obrigou o fragmentado e demasiadamente amplo, centro, a pensar em dialogar de forma mais pragmática. Um teve que agir. O outro, se não unir, já “nasce morto”.

Mexeu o caldo

Antes da histórica entrevista do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, na última terça-feira (9), o que se enxergava no tabuleiro da política nacional, era uma soberba autoritária do presidente Jair Bolsonaro e um centro dividido e sem ninguém com liderança política capaz de uni-lo. Além é claro, de uma esquerda tentando renascer com a força de outrora, mas com uma severa crise de novas alternativas. E pior: nenhuma das opções disponíveis, parecendo capaz de lograr êxito nas urnas. Após Lula subir o tom, e polarizar ainda mais o país, parece que não só a tropa bolsonarista acordou, passando inclusive a defender vacina e a usar máscara, como também o centro enxergou que, dividido não chegará a lugar algum.

Jogo jogado

Se do lado bolsonarista, assim como no da esquerda, a coisa parece estar se definido para candidaturas de Jair Bolsonaro à reeleição e de Luiz Inácio pelo Partido dos Trabalhadores, caso este chegue elegível até lá, o que tenho sérias dúvidas, no centro a coisa se complica um pouco mais. Por ser muito plural e por não ter, até então, uma liderança que se mostre capaz de acomodar interesses e de apresentar uma proposta exequível de desenvolvimento para o país, o centro corre o risco, se tiver mais de uma candidatura, de nem aparecer na foto quando as urnas se abrirem. Ou sentam à mesa para dialogar de forma madura e responsável, ou assistirão a “sangrenta guerra” entre os dois extremos.

Ciro Gomes

Dos nomes cogitados até o momento pelo centro, o do pedetista Ciro Gomes parece ser o que apresenta melhores condições políticas e eleitorais para administrar o país. O ex-governador do Ceará tem 40 anos de vida pública e já ocupou diversos cargos importantes no país. Sendo inclusive, ministro do governo Lula. Ocasião em que teve como assessor o então correligionário Marcio Bittar. Sim, é isso mesmo: Bittar já foi assessor do governo Lula. Como diria o saudoso Luiz Pereira, “a política é muito dinâmica”.

Opções

Os outros nomes cogitados pelo centro são o do governador de São Paulo, João Dória e o do apresentador Luciano Hulk. O primeiro parece não aglutinar nem mais o seu próprio partido em torno de sua candidatura. O segundo parece ter como primeira opção assumir as tardes de domingo no lugar do colega Fausto Silva. Já Sérgio Moro, ao que parece, chegará às eleições com a moral bem arranhada. Não assusta mais ninguém!

O autoritário e o pipoqueiro

O lamentável episódio do Batalhão de Choque da PMAC partindo com truculência para cima dos garis que reivindicavam dois meses de salários atrasados, na manhã de ontem (15), deixou de forma cristalina algumas evidências, que, só quem não é daqui ou desconhece a política local, não conhecia há bastante tempo: a aversão do prefeito Bocalom a tudo o que lhe é contrário e a falta de firmeza do governador Gladson Cameli, sempre que é preciso se posicionar em assuntos polêmicos e espinhosos.

Perversidade

A aversão ao contraditório e a pouca habilidade em conviver com as críticas, são características muito marcantes no Prefeito Tião Bocalom. Mas o seu absoluto silêncio após a covardia sofrida pelos garis, que nada mais reivindicavam do que, o direito a receber pelos dias trabalhados, é perverso.

Flash sim, polêmica não

A sanha do governador Gladson Cameli em posar para fotografias e em criar fatos, que o deixem em destaque, contradiz com a sua falta de postura quando o assunto requer firmeza e liderança. Há poucos dias assistiu de forma constrangedora o presidente Bolsonaro e toda a sua comitiva “desfilar” sem máscara em visita ao estado. Quando perguntado sobre o fato, disse: “cada um sabe o que faz”.

Miolo de pote

Ontem o governador, a quem a Polícia Militar é subordinada, emitiu nota sobre a truculência policial contra os manifestantes, que mais parecia o famoso “miolo de pote” ou o “nada com coisa alguma”. Rolando Lero, personagem da Escolinha do Professor Raimundo, conhecido pela embromação nas respostas, ficaria com inveja. Falou pouco e nada disse!

Nota de Gladson

“… O governo do Estado do Acre e eu não compactuamos com nenhuma desordem ou abuso contra qualquer pessoa, sejam elas garis, policiais militares ou qualquer integrante de classe trabalhadora.” Então tá.

Repúdio

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) divulgou nota de repúdio contra o acionamento da Tropa de choque para conter a pacífica manifestação dos garis. “… Pelos trabalhadores, sem recuar, sem cair, sem temer”, finalizou a nota, assinada pelo presidente estadual da sigla, deputado estadual Luís Tchê.

Help Neri

A ex-prefeita Socorro Neri também se manifestou sobre a situação dos dois meses de salários atrasados dos garis. “Dinheiro tem e legalidade também. Não recebi qualquer denúncia de irregularidade na execução desses contratos. Se existissem teriam sido apuradas e corrigidas, dado o zelo com que conduzi a gestão”, disse.

Acham que estão certos

O que mais assustou nisso tudo, foi que a cada secretário municipal ou assessor que se manifestava, a impressão que se dava era de que, talvez, o silêncio fosse ainda “menos pior”. Nenhum pedido de desculpas. Todos achando que a prefeitura e a PM estão cobertas de razão. Lamentável.

Flores e cassetetes

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) disse que a classe trabalhadora merece flores, mas que recebe de Bocalom, “cassetete e gás de pimenta”.

Sugestão

Após a queda do terceiro ministro da Saúde em plena pandemia e da recusa da médica Ludhmila Hajjar em assumir a pasta, ouvi de um desconhecido na fila do supermercado: “bem que o Bolsonaro poderia convidar o Frank Lima para assumir a saúde do país. Ele receita cloroquina e não sabe absolutamente nada sobre medidas de restrições ou vacina. Está apto para o cargo.” Que a sugestão do gajo não chegue aos ouvidos do presidente, porque, pelos requisitos do secretário municipal, é bem capaz do Jair aceitar a sugestão.

Darcy

“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.” (Darcy Ribeiro)

 

 

 

 

 

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André Diogo

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