Pluralidade: Nós, eles não!


 

Não há um dia de paz, um dia sequer que indivíduos de grupos minoritários não sejam atacados no Brasil. Uma terrível sensação de insegurança, mesmo em lugares mais improváveis, lá se concentram e encontramos os misóginos, lgbtfóbicos e racistas. Se escondem, nas boas aparências e nos espaços e nas instituições que deviam resguardar a vida das pessoas.

O caso logo ficou conhecido nas redes sociais. A mulher agrediu uma pessoa, em um ataque homofóbico no final de semana, depois de insultar clientes e funcionários e atirar objetos. A personagem, a advogada Lidiane Biezok, de 45 anos, uma mulher branca. O local, uma padaria tradicional no bairro Pompeia, bairro de classe média alta paulistana.

Além dos ataques homofóbicos, transfóbicos e racistas, ela arremessou objetos e deu puxões de cabelos em uma das vítimas com palavras de baixo calão impublicáveis. Notadamente, a representação da classe média que não faz leitura dos seus preconceitos e estão liberadas a proferir nas pessoas em situação de vulnerabilidade, todo o seu ódio e sua cafonice.

Pessoas como ela sempre vão encontrar guarida em desculpas para justificar seus atos, como exemplo; usando sua saúde mental. Até porque uma coisa não tem nada a ver com outra, o descontrole sim, o preconceito definitivamente não. Perceptível que a moça precisa de acompanhamento, ainda não se sabe bem de qual área especifica, no entanto, ela precisa curar seu preconceito. Talvez seja a solução de muitos de seus problemas, inclusive do seu ataque de soberba de alguns tipos de gente branca e mimada, criada na zona sul de São Paulo e que não enxerga para além de sua realidade e dos muros que a protege.

Devemos nos questionar ate quando essas pessoas vão se sentir a vontade para justificar o injustificável. Seguem reproduzindo o ódio proclamado pela dupla que ocupa os assentos de chefes maior de estado, presidente e vice. Nas palavras de ódio ditas pelo presidente em 2014, para a deputada Maria do Rosário: ela “não merecia ser estuprada porque ele é muito feia” ou que “prefere um filho morto a um filho gay”. Ou as últimas declarações do vice Mourão: “que no Brasil não existe crime de racismo”. Não dá mais para relativizar os crimes cometidos por essa gente que não faz uma reflexão sobre a dor do outro e segue vociferando absurdos e fazendo apologias de fato criminosos.

Solene Costa é militante de Direitos Humanos, ativista política cultural, feminista, ouvidora da DPE e presidenta do Conselho Nacional de Ouvidorias Públicas.

Post navigation

Avatar de André Diogo

André Diogo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *