OPINIÃO

Apex na mira da mídia: críticas a gestão de Jorge Viana são intensas, mas têm fundamento


Entre os acreanos que ocupam cargos importantes no Governo Federal, sem dúvidas há de se destacar a ministra Marina Silva (do Meio Ambiente) e o presidente da Apex, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana — os dois inclusive já dividiram palanque, em 2002, quando foram respectivamente eleitos senadora e governador.

Mas enquanto Marina estampa a mídia nacional como um avanço na área do Meio Ambiente — tão prejudicada no Governo Bolsonaro — Jorge Viana parece ter virado um alvo de um dos maiores jornais em circulação no país, o Estado de S. Paulo, Estadão para os íntimos.

Somente em uma semana, duas matérias viraram destaque no jornal, sendo colocadas no topo de relevância (com impulsionamentos nas redes sociais e posicionadas em área de fácil visão no site): a primeira sobre ele não falar inglês; a segunda, sobre contratar pessoas próximas a ele como assessores.

Os dois assuntos podem parecer sem gravidade, mas há lógica nas publicações. Jorge Viana comanda a Apex Brasil, uma agência que promove as exportações e investimentos do país no exterior. O inglês fluente nesse caso, não apenas seria de extrema importância, como era um pré-requisito mínimo para o cargo até março, tendo sido revogado por Viana.

Para o Estadão, Jorge Viana mudou o estatuto para benefício próprio, uma vez que não atenderia o pré-requisito. Em resposta, a Apex disse que a mudança visou “buscar aprimorar a governança da agência. As novas regras trataram de realinhar as funções e competências da diretoria e de todos os cargos, depois de graves e sucessivas crises ao longo dos últimos anos”.

O assunto se torna mais delicado ainda, quando justamente a falta de domínio do inglês na presidência da Apex gerou a primeira crise no Governo Bolsonaro, que diante da repercussão negativa, teve que exonerar Alecxandro Pinho Carreiro  em 8 dias de gestão.

O assunto virou munição para militantes bolsonaristas nas redes sociais, que relembraram a crise no governo passado e cobraram a mesma atitude de Lula. Um deles foi o próprio filho do ex-presidente, o senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ):

Deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária na Câmara, chegaram a classificar o caso como um “vexame”.

Antes, a assessoria do próprio Jorge Viana havia declarado que ele sabia falar inglês, mas não discursava no idioma. Uma justificativa que na visão deste colunista — que já deu aulas de inglês — não seria aceitável. A fluência em um idioma é um conceito vago, mas há meios de determinar a capacidade comunicativa nele, conseguir fazer um discurso dentro do meio em que está inserido seria um dos principais.

A outra matéria diz respeito a contratação de três assessores que, em tese, não estariam qualificados para o cargo por não terem experiência em exportação. São eles o arquiteto Madson Willander Melo de Sá; o advogado e mochileiro Antonio Siqueira e Silva Neto; e o jornalista e cantor Aarão Prado. Todos com salário de R$ 17.810.

O Estadão enfatizou que Madson já trabalhou como gerente da Gestar Engenharia, Inovação em Gestão e Consultores Associados, empresa de Jorge Viana. Já Antonio Siqueira foi sócio de JV nesta mesma empresa. Aarão, por fim, foi assessor do petista no Senado entre 2011 a 2019.

O jornal denunciou ainda que os três estão contratados em vagas de assessor-2, o que exige a experiência de três anos na área ou pós-graduação. Sobre esta segunda matéria do Estadão, a assessoria da Apex justificou que “todos eles atendem aos requisitos previstos no plano de cargos”.

Há quem diga que o jornal está fazendo algum tipo de “pegação no pé” contra a Apex, colocando Jorge Viana na mira. De fato, são assuntos que normalmente não entram em pauta com frequência sobre as demais instituições, mas isso não anula que eles têm fundamento e a assessoria não tem apresentado boas justificativas. A questão agora é que a repercussão dos dois casos tem sido muito negativa para o acreano nas redes sociais.


Leia no Estadão:

→ Sem saber inglês, Jorge Viana muda estatuto da Apex-Brasil para ficar no cargo e ganhar R$ 65 mil

→ Jorge Viana emprega na Apex-Brasil aliados sem experiência em comércio internacional

 

 

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André Diogo