Os gritos de “nossa bandeira nunca será vermelha” sempre foi uma moda entre aqueles que se dizem anticomunistas no Brasil. Recentemente, foi assim que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro o receberam em sua visita a Londres para o funeral de Elizabeth II. No entanto, o grito foi feito livremente em frente à residência oficial do Embaixador, onde tanto a bandeira da Inglaterra como a do Reino Unido possuem grandes detalhes em vermelho. O que eles achariam se entendessem o português?
Bandeira vermelha é de país comunista?
Não! Acontece que, cada bandeira possui traços que representam aquela nação. Países alinhados com o socialismo, por exemplo, costumam adotar o vermelho para simbolizar o sangue da classe operária e nem mesmo é uma regra. Cuba tem um apenas um pequeno detalhe na cor, sendo reforçados por azul e branco. Em outros países que já adotaram o regime alguma vez (como Somália e Nicarágua), a cor sequer aparece. Enquanto isso, países como Estados Unidos, Noruega, Dinamarca e Suíça, esbanjam e se orgulham das cores vermelhas de suas bandeiras. Não só eles, claro! A cor é uma das mais presentes em bandeiras, no total, estão nos símbolos nacionais de 148 países e entre seus significados representam valor, honra, batalhas, luta, revolução, flores, Sol e a terra. Logo, demonizar a cor vermelha em bandeiras, além de não ter sentido, é um desrespeito a grande parte das nações.
Verde, amarelo e o patriotismo
Desde a escola, aprendemos que as cores da bandeira do Brasil são verde, amarelo e azul com propósitos. Um representaria as florestas, outro o ouro e o terceiro o céu. Ledo engano, na verdade o verde e amarelo sempre foram as cores da família real Portuguesa, da Casa de Bragança. Em suma, as cores na verdade representam o colonizador, de quem em todo 7 de setembro comemoramos a independência. Durante o Brasil Império, a bandeira nacional ganhou, inclusive, alguns detalhes avermelhados, como uma cruz de malta e uma coroa.

Em contrapartida, o vermelho possui uma identidade grande com o Brasil. A começar, claro, pelo nome: todos sabem que a palavra Brasil se originou de “pau-brasil”, uma árvore de onde é extraída uma tinta de cor vermelha viva. O pau-brasil foi o que primeiramente chamou a atenção dos portugueses para colonizar essas terras, logo, foram atraídos pela cor vermelha. Além disso, o próprio nome tem entre suas origens o latim, “vermelho como brasa”.
Após a queda do Império, diversas propostas para a nova bandeira que representaria a República foram apresentadas, tentando deixar para trás tudo que nos ligasse ainda ao Império e a Portugal. Mas por fim, acabou se optando por manter o retângulo verde louro e o losango amarelo, trocando o brasão imperial pelo círculo estrelado e incluindo o lema positivista “Ordem e Progresso”. As cores foram mantidas, porém deram “novos significados” a elas para tentar separar da origem monarquista. Isso indica que o maior símbolo da República brasileira e suas cores não representa por si só a identidade brasileira.
De fato, a nossa bandeira talvez nunca seja vermelha e nem deveria ser, nunca tentaram mudar, é mais um episódio de “A Assombração Comunista”. Embora a origem histórica tenha sido “romantizada”, hoje as cores verde e amarelo já estão bem enraizadas na cultura brasileira.




















