Iniciou nesta terça-feira (14) o julgamento de Hitalo Marinho Gouveia, de 35 anos, acusado de assassinar a própria esposa, Adriana Paulichen, de 23 anos, no dia 9 de julho de 2021, em Rio Branco.
Segundo as investigações, o réu teria matado a esposa após ela supostamente descobrir uma traição. A jovem foi morta dentro de um estabelecimento comercial no bairro Estação Experimental, ela foi estrangulada e também recebeu duas facadas.
Nesta quarta-feira (15), Hitalo falou por mais de duas horas e relatou supostos episódios de agressão os quais teria sofrido enquanto era casado com ela.
A sessão foi suspensa em razão de uma queda de energia elétrica que interrompeu o sistema de gravação do júri.
Em um dos momentos, comentou sobre uma crise de ciúmes que, segundo ele, foi motivada após a esposa ter sonhado que ele o traía.
‘Pedia para ela parar’
O juiz Alesson Braz perguntou o que fez ele continuar com uma pessoa que deu um murro dele. “Ela me pediu desculpa, [disse] que foi um momento de transtorno, que se arrependeu e eu acreditei. As agressões físicas demoraram para voltar, mas tinham as agressões verbais”, falou.
Hitalo relata ainda que, para que se sentisse mais segura, propôs o casamento para oficializar a relação entre ambos. “Foi um casamento simples, chegamos a programar uma viagem, mas veio a pandemia e tivemos que adiar. Estávamos com passagem comprada, hotel pago, mas não deu certo”.
O réu relembrou que mesmo o matrimônio não foi suficiente para Adriana parar com os “transtornos”: “Ela ficava alterada, gritando. Voltaram as agressões após sair a denúncia do meu trabalho, de assédio. Ela estava com oito meses de gestação. Ela achou que eu tinha traído ela”, disse, relembrando uma suposta acusação de assédio no trabalho.
Os episódios de agressão, conta ainda, que se intensificaram durante e após o período gestacional da esposa. “Eu apanhava praticamente todos os dias nesse período próximo ao parto dela. Era às vezes com a mão, cabo de vassoura, copo, desodorante, ela batia na minha cabeça. Eu não fazia nada, só pedia pra ela parar”, disse.
Ajuda
Mesmo com os problemas, Hitalo contou ao júri que ambos procuraram ajuda psicológica e até religiosa, para que o relacionamento melhorasse. Ele disse que as agressões diminuíram, mas não pararam.
Além disto, disse que as terapias não surtiram muito efeito, que as agressões continuaram, porém, com menos frequência – cerca de uma vez por semana – e, segundo ele, sempre motivadas pela notícia do suposto assédio. Disse que procuraram ajuda espiritual e Adriana também procurou ajuda com psiquiatra.
“As agressões diminuíram, mas não pararam. E aí começaram os problemas com nosso filho. Eu cheguei um dia do trabalho e ela ficou perguntando com quem eu estava. Ela foi chutar o neném e pegou no bebê conforto. Deu impressão que ela ia chutar a criança. Peguei ele e sai e ela pegou o arco do bebê conforto para bater na criança e foi quando pegou nas minhas costas. Teve outra agressão, que só a Andréia sabe, que ela jogou um frasco de maquiagem de vidro na criança, que ficou com um galo na testa. Eu estava presente no momento e ela contou para a Andréia. Andreia foi várias vezes lá em casa nesses momentos”, disse, ainda sobre episódios de agressões, complementando que levaram o pequeno no hospital e disseram para fazer compressa.
Pedido de impugnação
Sessão é suspensa por 10 minutos. O advogado de defesa, Sanderson Moura, pediu para que constasse em ata um pedido de impugnação de uma manifestação do magistrado com relação à irmã da vítima que estava assistindo o interrogatório e balançou a cabeça no momento da fala. Segundo Moura, como ela já tinha sido ouvida, o juiz não deveria ter apontado a gesticulação dela durante o depoimento do réu.
Sobre o protesto do advogado, o juiz afirmou que não entendeu que a atitude afronte a defesa, contudo, aceitou o pedido. “Ao contrário do que trouxe a defesa, não trouxe prejuízo. Aceito o protesto, mas julgo descabido que trouxe algum prejuízo à defesa. Estou trazendo ainda mais uma possiblidade dele trazer o contraditório”, disse o magistrado.
Júri
Após o interrogatório de Hitalo, segue os debates orais, sendo:
- 1h30 – acusação;
- 1h30 – defesa do réu;
- 1h – réplica;
- 1h – tréplica.
A previsão é de que o julgamento termine ainda nesta quarta-feira (15), com a absolvição ou condenação do réu.




















