Brasil é Retirado de Lista Sanitária da UE por Regras sobre Antimicrobianos na Pecuária; Exportações de Carnes, Ovos, Mel e Pescado podem Ser Afetadas
A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco europeu a partir de 3 de setembro. A decisão foi tomada após o país não apresentar garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, segundo autoridades europeias.
A medida gerou forte reação do governo brasileiro, que classificou a decisão como uma “surpresa” e já articula reuniões diplomáticas para tentar reverter o cenário.
O Que Muda para o Brasil com a Decisão da União Europeia
A exclusão da lista sanitária da UE significa que o Brasil poderá perder autorização para exportar diversos produtos de origem animal ao mercado europeu, incluindo:
- Carne bovina;
- Carne de frango;
- Carne equina;
- Ovos;
- Produtos da aquicultura;
- Mel;
- Tripas e invólucros animais.
A decisão ainda precisa ser oficialmente publicada no Diário Oficial da União Europeia para ter validade legal.
Segundo a porta-voz da Comissão Europeia para Saúde, Eva Hrncirova, o Brasil não comprovou conformidade com as exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos durante toda a cadeia produtiva animal.
“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, afirmou a representante europeia.
O Que são Antimicrobianos e por que a UE Endureceu as Regras
Os antimicrobianos são medicamentos usados para prevenir ou tratar infecções em animais. Alguns deles também são utilizados como promotores de crescimento na pecuária — prática proibida pela União Europeia.
Entre as substâncias vetadas pelo bloco europeu estão:
- Virginiamicina;
- Avoparcina;
- Bacitracina;
- Tilosina;
- Espiramicina;
- Avilamicina.
Especialistas apontam que a preocupação europeia está ligada ao avanço da resistência antimicrobiana, considerada um dos principais desafios globais de saúde pública.
Brasil Já Iniciou Restrições, mas UE Considera Medidas Insuficientes
Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo parte desses antimicrobianos, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Mesmo assim, para voltar à lista da União Europeia, o Brasil precisará:
Proibir Totalmente os Medicamentos Restantes
ou
Garantir Rastreabilidade Completa da Carne Exportada
Segundo o advogado e doutor em direito agroambiental Leonardo Munhoz, a segunda alternativa é mais complexa e cara.
“Essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador”, afirma o especialista.
Governo Brasileiro Tenta Reverter Decisão
Em nota conjunta, os Ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior afirmaram que receberam a medida “com surpresa”.
O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia terá uma reunião com autoridades sanitárias europeias nesta quarta-feira (13) para discutir o caso.
O governo argumenta que o país mantém um dos sistemas de inspeção agropecuária mais robustos do mundo.
Setor Agropecuário Reage e Teme Impacto Econômico
A União Europeia é atualmente:
- O terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor exportado;
- O segundo principal mercado para carnes em geral, atrás apenas da China.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil continua habilitado até setembro e que trabalha junto ao governo para atender às novas exigências.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o país “cumpre integralmente” as regras europeias sobre antimicrobianos.
A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) classificou a decisão como “preocupante”, principalmente após a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Decisão Acontece após Acordo Mercosul-União Europeia
A divulgação da nova lista sanitária ocorreu apenas 12 dias após o início provisório do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
Apesar disso, especialistas afirmam que a decisão sanitária não está diretamente ligada ao tratado comercial, mas sim às normas de segurança alimentar europeias.
O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, defendeu a medida:
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. É legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos.”
Impacto pode Ser Temporário
Especialistas avaliam que o veto não é necessariamente definitivo. Caso o Brasil consiga comprovar adequação às normas sanitárias da União Europeia, as exportações poderão ser retomadas posteriormente.
Enquanto isso, o setor agropecuário brasileiro acompanha com preocupação os possíveis impactos comerciais e diplomáticos da decisão.
E você, o que pensa sobre a decisão da União Europeia?
👉 O veto é uma medida sanitária legítima ou pode esconder barreiras comerciais contra o agronegócio brasileiro?
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A União Europeia já proibiu imediatamente a carne brasileira?
Não. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro, após publicação oficial no Diário Oficial da União Europeia.
Por que a UE retirou o Brasil da lista sanitária?
Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
O que são antimicrobianos?
São medicamentos usados para prevenir e tratar infecções em animais. Alguns também podem ser utilizados como promotores de crescimento.
Quais produtos brasileiros podem ser afetados?
A decisão pode impactar exportações de:
- Carne bovina;
- Carne de frango;
- Carne equina;
- Ovos;
- Mel;
- Pescados;
- Produtos da aquicultura.
O Brasil ainda pode reverter a decisão?
Sim. O governo brasileiro já iniciou negociações com autoridades europeias para demonstrar conformidade com as exigências sanitárias.
A decisão tem relação com o acordo Mercosul-União Europeia?
Especialistas afirmam que não diretamente. A medida está ligada às regras sanitárias europeias sobre uso de antimicrobianos.
A exportação para outros países será afetada?
Até o momento, não. O Brasil continua exportando normalmente para mercados como China, Estados Unidos e outros parceiros comerciais.
O que o setor agropecuário brasileiro diz?
Entidades do setor afirmam que o Brasil possui sistemas rigorosos de controle sanitário e rastreabilidade, além de cumprir os requisitos internacionais de segurança alimentar.




















