OPINIÃO

Todos contra um e lavagem de roupa suja, como foi o 1º debate entre candidatos ao Governo do Acre?


Aconteceu na noite deste domingo, dia 18, o primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Acre nas eleições de 2022. Estiveram presentes seis dos sete concorrentes. A exceção foi David Hall, do Agir, que ficou de fora porque segundo a TV Rio Branco, seu partido não tem representação parlamentar. Sobre a exclusão, Hall usou as redes sociais para questionar se a atitude foi democrática e perguntou “o que eles temem?”.

O debate trouxe o que se esperava de cada candidato. Marcio Bittar, do União Brasil, por exemplo, não fez questão alguma de esconder seus objetivos com a candidatura: fez campanha para Bolsonaro em grande parte do tempo, enalteceu Mara Rocha e atuou como advogado Márcia Bittar, dedicando parte de suas considerações finais a defendê-la. Por vezes, precisou ser colocado no lugar por Nilson Euclides, do PSOL, que lembrou ao senador que Bolsonaro já tem muito apoio no Acre e que o debate era para discutir propostas ao Governo.

Nilson foi, inclusive, o grande destaque da noite, o professor-doutor em Ciências Políticas da Ufac era o único que nunca havia ocupado cargo político, mas mostrou que domina o assunto, puxando as rédeas das conversas por diversas vezes. Nilson aparece com 1% nas pesquisas, mas teve postura de quem está com os dois dígitos.

Mara Rocha, do MDB e Petecão, do PSD, compareceram ao debate com uma estratégia bem clara: atacar Gladson. Não se esperava nada diferente, é Gladson quem lidera as pesquisas – muitas vezes com folga – e por serem da ala bolsonarista na disputa, o alvo são os eleitores do governador. Mara, inclusive, mostrou vários dados estatísticos contra o Governo, que por ironia, tem seu próprio irmão como vice.

A deputada não levantou a bandeira de Bolsonaro, provavelmente por recomendação de seu partido, que tem Simone Tebet como candidata a presidente, mas foi incisiva ao afirmar que pretende reduzir as forças dos órgãos de fiscalização ambiental e criticou o governador pela criação de uma delegacia do Meio Ambiente. O que se questiona nisso é que com tanta “rigidez” como Mara diz, as queimadas nessa época saem de controle, imagina com a redução na fiscalização?

Petecão aparentou ser o menos preparado no debate. Seus ataques a Gladson se resumiam a citar corrupção sem detalhes, não explicava seus pontos de vista e se limitava com frases de efeito. Atacou a mídia, chamou as pesquisas de mentirosas e tentou se desvincular da aliança com Cameli em 2018. Petecão foi na prática o candidato com atitudes mais bolsonaristas do debate.

Jorge Viana, do PT, adotou as mesmas estratégias usadas por Lula, que é candidato a presidente. As características são semelhantes: os dois tiveram duplo mandato, um deles ao mesmo tempo e tentam retornar. Até mesmo na forma de promover o vice, os dois se parecem. A estratégia do petista foi comparar seu governo com o de Gladson e lembrar aos demais adversários que todos fizeram parte da eleição do progressista em 2018.

Por fim, Gladson se manteve tranquilo. Não caiu nas provocações dos adversários, evitou fazer ataques e aproveitou que era o principal alvo para pedir direitos de respostas, o que acabou lhe dando mais tempo para falar que os demais. O governador não usou a pandemia – sua maior bandeira – a seu favor nos discursos, disse estar confiante na Justiça em relação a Operação Ptolomeu e evitou polêmicas.

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André Diogo