“Tínhamos o Bocalom como um herói”, desabafa gari agredido por cobrar salário atrasado


Um servidor de uma empresa terceirizada, identificado como José Wellington, que presta serviço para a Prefeitura de Rio Branco através da Secretaria de Zeladoria, desabafou na manhã desta quinta-feira (18) na Câmara Municipal de Rio Branco (CMRB) que tinha o prefeito Tião Bocalom (Progressistas) como um herói, mas ele tratou a classe como bandidos ao acionar a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) para conter uma manifestação pacífica na última segunda-feira (15).

Wellington representa toda uma classe de garis e margaridas que estavam há dois meses sem receber salários, em meio à pandemia de Covid-19, a empresa alegava que não havia recebido o valor acordado com a prefeitura. Esta por sua vez, tentou culpar irregulares no modelo de contrato feito na gestão da ex-prefeita Socorro Neri (PSB).

“A gente ouviu muita coisa, mas não estávamos defendendo lado A ou B, apenas buscando nossos direitos”, declarou Wellington a respeito das manifestações.

Os trabalhadores compareceram à Câmara nesta quinta após um requerimento feito pela vereadora Michelle Melo (PDT), que também declarou que  atitude tomada pela prefeitura “lhe causa repugnância”, ao usar a força policial ao invés do diálogo.

Bocalom chegou a assumir publicamente ter sido ele próprio a ter acionado o Batalhão de Operações Especiais (Bope), em entrevista à TV Gazeta ele revelou que não se arrepende da decisão e a classificou como necessária para “acalmar os ânimos”. Os policiais chegaram a fazer uso de cassete e gás de pimenta para desmontar a chama “barreira humana”, onde manifestantes dão as mãos para bloquear o acesso a uma via pública, com objetivo de chamar a atenção das autoridades.

Sobre a ação, Wellington disse: “A gente tinha o prefeito Bocalom como um herói. Mas não, ele mandou usar força policial. A gente não é criminoso, é pai de família”. Ele reforçou ainda que o grupo não usou de nenhum tipo de violência, apenas queriam receber seus salários: “O ato da PM foi desnecessário, só queríamos receber os salários”.

Segundo informações do deputado Fagner Calegário (Podemos), a empresa já aceitou receber o repasse reduzido da prefeitura e pagará integralmente os trabalhadores, devendo recorrer do restante do dinheiro na Justiça. Quem também procurará esse meio é a ex-prefeita Socorro Neri, que anunciou em live que processará Bocalom, o senador Sérgio Petecão (PSD) e representantes da Zeladoria, para que provem qualquer irregularidade em sua gestão.

Leia:

”VÃO TER QUE PROVAR”: Socorro Neri vai processar Bocalom e Petecão após acusações no caso da Zeladoria

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