Plataforma Reúne Infraestrutura Nacional, Parceiros Tecnológicos Homologados e Mecanismos de Segurança para Manter Informações Classificadas Sob Jurisdição Brasileira
Em meio ao avanço da inteligência artificial e à crescente dependência de serviços digitais, a discussão sobre quem controla os dados estratégicos ganhou espaço no setor público. No Brasil, o Serpro aposta em uma infraestrutura de nuvem soberana para ampliar a proteção de informações classificadas e manter o controle jurisdicional desses dados em território nacional.
A iniciativa foi apresentada durante o 15º Fórum RNP, realizado entre 24 e 27 de agosto, em uma programação dedicada a temas como inteligência artificial, cibersegurança e governança de dados. A palestra “Quem Governa os Dados de Quem Governa?”, conduzida por Carlos Hill, gerente do Serpro, abordou os desafios relacionados à soberania digital brasileira.
O Que é a Nuvem de Governo do Serpro
A estratégia do Serpro estabelece uma separação entre diferentes níveis de informação. Dados públicos podem continuar sendo processados em infraestruturas de grandes provedores de nuvem, dentro de um modelo contratual administrado pelo próprio Serpro.
Já as informações classificadas em grau de sigilo e consideradas estratégicas para o Estado são direcionadas à nuvem soberana, que opera em infraestrutura nacional e está submetida à legislação brasileira.
A plataforma foi estruturada para atender às exigências relacionadas à proteção de dados e à classificação de informações previstas na legislação brasileira, incluindo as regras associadas à Lei de Acesso à Informação (LAI).
Soberania Digital Ainda é um Desafio para o Brasil
A discussão sobre infraestrutura nacional de tecnologia ocorre em um cenário no qual o Brasil ainda busca ampliar sua autonomia digital.
De acordo com o ranking de soberania digital do BRICS Fórum, que avaliou 80 países, o Brasil aparece na 48ª posição. O resultado evidencia o tamanho do desafio para ampliar a capacidade nacional de controlar infraestrutura, dados e tecnologias consideradas estratégicas.
Nesse contexto, a construção de uma nuvem soberana é apresentada pelo Serpro como parte de uma estratégia para reduzir riscos associados à dependência tecnológica e assegurar maior controle estatal sobre informações sensíveis.
A iniciativa também está relacionada à Ação 27 do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que estabelece como meta concluir até 2027 a migração dos dados classificados para esse ambiente soberano.
Segurança Sem Abrir Mão da Integração
A proposta do Serpro não é criar uma estrutura tecnológica completamente isolada. A Nuvem de Governo foi concebida para permitir a interoperabilidade com outros ambientes, mantendo mecanismos de segurança compatíveis com o nível de sensibilidade das informações processadas.
Além da infraestrutura própria, a plataforma conta com opções para ambientes de nuvem pública e parcerias tecnológicas homologadas.
Entre elas estão:
- AWS Outposts;
- Google Distributed Cloud;
- Huawei Cloud Stack.
As soluções da Oracle e da Microsoft, por sua vez, estavam em processo de homologação no momento da apresentação.
O modelo permite combinar diferentes recursos tecnológicos conforme as necessidades de cada órgão ou aplicação, sem abandonar os requisitos de segurança e governança definidos para os dados estratégicos.
Infraestrutura Opera em Brasília e São Paulo
A Nuvem de Governo do Serpro está apoiada em dois datacenters próprios da empresa, localizados em Brasília e São Paulo.
Segundo as informações apresentadas no Fórum RNP, esses ambientes são operados integralmente por empregados do Serpro, empresa pública vinculada ao governo federal.
A estrutura oferece serviços que incluem computação, bancos de dados, conectividade, segurança, analytics e inteligência artificial. A plataforma também disponibiliza GPUs destinadas ao treinamento de modelos de IA.
A combinação desses recursos busca atender desde demandas tradicionais de infraestrutura tecnológica até aplicações mais recentes baseadas em inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados.
Como Funciona a Contratação
A contratação dos serviços começa pelo levantamento das necessidades do órgão interessado. A partir desse diagnóstico, é desenvolvida uma arquitetura preliminar que serve de base para a elaboração da proposta comercial e, posteriormente, para a assinatura do contrato.
O objetivo é oferecer uma contratação estruturada de acordo com os requisitos técnicos e de segurança de cada demanda.
Dados Estratégicos no Centro da Disputa Tecnológica
A expansão da computação em nuvem colocou a soberania dos dados entre os temas estratégicos para governos de diferentes países. Informações públicas, administrativas e classificadas passaram a depender cada vez mais de infraestruturas digitais capazes de armazená-las, processá-las e protegê-las.
No caso brasileiro, a proposta do Serpro busca estabelecer uma camada específica para os dados considerados mais sensíveis, combinando infraestrutura localizada no país, operação nacional e controle sob a legislação brasileira.
A discussão apresentada no Fórum RNP mostra que soberania digital não significa necessariamente abandonar tecnologias internacionais. O desafio está em definir quais dados podem utilizar infraestruturas externas, quais exigem proteção adicional e quem mantém o controle sobre essas informações
O Que Muda com a Nuvem Soberana
Na prática, a estratégia cria diferentes ambientes para diferentes níveis de sensibilidade dos dados.
Dados públicos: podem utilizar nuvens de grandes provedores dentro do modelo de governança e contratação administrado pelo Serpro.
Dados classificados: são direcionados à infraestrutura soberana, com operação nacional e controle jurisdicional brasileiro.
Essa diferenciação permite que o governo utilize recursos tecnológicos disponíveis no mercado sem tratar todas as informações públicas da mesma maneira
Próximos Passos
Com a meta de concluir a migração dos dados classificados até 2027, a Nuvem de Governo representa uma das frentes da estratégia brasileira para ampliar a autonomia tecnológica do Estado.
O avanço dessa infraestrutura deverá ser acompanhado de perto à medida que inteligência artificial, serviços em nuvem e grandes volumes de dados assumem papel cada vez mais relevante nas atividades governamentais.
Mais do que uma questão de armazenamento, a discussão envolve segurança cibernética, governança, legislação, infraestrutura crítica e capacidade de decisão sobre informações estratégicas.
A Nuvem de Governo do Serpro coloca a soberania dos dados no centro da transformação digital do Estado brasileiro. Ao reservar uma infraestrutura nacional para informações classificadas e estratégicas, a iniciativa busca combinar inovação tecnológica, segurança cibernética e controle sob a legislação brasileira.
O desafio, agora, é avançar na migração prevista para os próximos anos e ampliar a capacidade do país de proteger informações sensíveis sem abrir mão da integração com tecnologias e serviços internacionais.
Em um cenário de expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem, controlar onde os dados estão armazenados, quem pode acessá-los e qual legislação se aplica a eles deixa de ser apenas uma questão técnica. É também uma questão de segurança nacional e soberania digital.
O Brasil está preparado para proteger seus dados mais estratégicos na era da inteligência artificial?
A evolução da Nuvem de Governo do Serpro pode representar um passo importante nessa direção. Compartilhe sua opinião sobre a importância de uma infraestrutura digital soberana para o país e acompanhe as próximas etapas dessa iniciativa.
O que é a Nuvem de Governo do Serpro?
É uma plataforma de computação em nuvem desenvolvida pelo Serpro para atender às necessidades do governo, incluindo o processamento e armazenamento de informações que exigem diferentes níveis de proteção.
Onde ficam os dados classificados?
A infraestrutura destinada aos dados classificados está localizada em território brasileiro, nos datacenters próprios do Serpro em Brasília e São Paulo, conforme a estrutura apresentada pela empresa.
O que significa soberania digital?
Soberania digital é a capacidade de um país manter controle sobre tecnologias, infraestruturas e dados estratégicos, incluindo aspectos relacionados à segurança, acesso, governança e jurisdição.
A Nuvem de Governo utiliza tecnologia de empresas estrangeiras?
Sim. A proposta prevê interoperabilidade com diferentes tecnologias e ambientes de nuvem. Entre as soluções homologadas mencionadas pelo Serpro estão AWS Outposts, Google Distributed Cloud e Huawei Cloud Stack. Oracle e Microsoft estavam em processo de homologação.
Todos os dados do governo serão transferidos para a nuvem soberana?
Não. A estratégia diferencia os dados de acordo com seu nível de sensibilidade. Informações públicas podem continuar utilizando nuvens de grandes provedores dentro do modelo de governança estabelecido, enquanto dados classificados são direcionados ao ambiente soberano.
Qual é a previsão para a migração dos dados classificados?
A Ação 27 do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) estabelece a meta de concluir a migração até 2027.
Quais serviços estão disponíveis na plataforma?
A oferta inclui recursos de computação, bancos de dados, conectividade, segurança, analytics e inteligência artificial, além de GPUs destinadas ao treinamento de modelos de IA.
Por que manter dados sensíveis sob jurisdição brasileira?
A medida busca garantir que informações estratégicas do Estado estejam submetidas à legislação brasileira e sejam protegidas por uma infraestrutura operada em território nacional, reduzindo riscos relacionados à jurisdição e ao controle externo sobre esses dados.




















