DECISÃO

Policial federal acusado de matar filha de 2 meses no Acre assume novamente o cargo


Cinco meses depois de ter sido demitido, o policial federal Dheymersonn Cavalcante foi reintegrado ao cargo, nesta semana, após uma liminar da justiça. Acusado pela morte da filha, Maria Cecília, de 2 meses, ele tinha sido demitido em dezembro do ano passado.

A portaria do Ministério da Justiça, publicada no dia 19 de maio, suspende o efeito da anterior publicada no dia 16 de dezembro do ano passado – que afirmava que a decisão tinha sido tomada porque ele abandonou o cargo – e determina que ele seja reintegrado ao cargo de agente da Polícia Federal.

Cavalcante e a mãe dele, Maria Gorete, são acusados pela morte da pequena Maria Cecília, de 2 meses, filha dele. A pequena Maria Cecília morreu por broncoaspiração logo após ter ingerido leite, em março de 2019. O processo aponta que foi dado uma dose maior de leite do que a criança suportava.

Os réus tiveram a primeira audiência de instrução e julgamento adiada no último dia 27 de abril. A medida foi porque a defesa alegou que não teve acesso à mídia inserida pela denúncia nos autos por estar em blu-ray e o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) não ter o equipamento apropriado para leitura desse tipo de arquivo.

Após o adiamento, a 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar deu um prazo de 10 dias para que a defesa do policial e da mãe dele resolva o problema de acesso ao arquivo de prova no processo. O G1 não conseguiu contato com a defesa dele.

No texto, o magistrado citou uma certidão que confirma que o TJ-AC não dispõe de equipamento para leitura do arquivo em formato blu-ray, bem como não foi possível a conversão do arquivo para outro formato. E que, por isso, deferiu o pedido de redesignação da audiência virtual. Ainda não há uma nova data definhada.

Denúncia

O policial federal e a mãe dele se tornaram réus no processo em junho do ano passado e respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A menina morreu por broncoaspiração. Foi dado à menina pelo menos duas mamadeiras de leite artificial, segundo o processo, quando ela poderia ter tomado apenas 10 mililitros de leite artificial, segundo a mãe. No dia da morte da criança, o policial e a mãe dele pediram para levar a bebê para casa para tirar umas fotos em família.

A mãe da menina, a enfermeira Micilene Souza, alega que o policial premeditou a morte da menina junto com a mãe dele porque não queria pagar pensão alimentícia.

Ela chegou a dizer que ele nunca aceitou a gravidez e que, inclusive, sugeriu um aborto. A avó da criança contou que teria alimentado e menina com as duas mamadeiras de leite artificial, segundo Micilene, mesmo sabendo que não poderia. Depois disso, a bebê passou mal e o pai teria acionado o Samu.

O processo corre em segredo de Justiça na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Rio Branco. Por isso, nem Tribunal de Justiça (TJ-AC) e nem o Ministério Público do Acre (MP-AC) se posicionam com detalhes sobre o caso.

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André Diogo