“Se não houver voto impresso, não haverá eleição”, a frase de Jair Bolsonaro na última semana entusiasmou apoiadores que gostam da postura ‘firme’ adotada pelo presidente; e temor aos opositores que receiam qualquer tentativa de golpe de Estado para continuar no poder. A grande questão é: no que exatamente o voto impresso mudaria nessa situação?
A ideia de ter voto impresso chegou a ser cogitado em 2018, mas foi considerado inconstitucional pelo STF e muito criticada pela Justiça Eleitoral, que afirmou que a alternativa poderia abrir mais prerrogativas para captação ilícita de sufrágio – em termos populares: compra de voto. Além disso, haveria um aumento de custo, somente no primeiro, as eleições daquele ano custaram R$ 2,82 bilhões nas quais 73% vieram de dinheiro público¹.
Para cumprir o objetivo, Bolsonaro quer a aprovação de uma PEC da deputada Bia Kicis, do PSL, partido na qual ele foi eleito e ainda mantém relações, já que seu filho Eduardo continua filiado e deputado federal por lá. A PEC tramita no Congresso Nacional e nos últimos dias vem ganhando mais adeptos da ideia, que temem pela rasa ideia de fraude, principalmente com a elegibilidade do ex-presidente Lula, que teve suas condenações na Lava Jato anuladas pelo STF este ano.
Fraude em eleições são apontadas desde sempre e não foi diferente quando Collor, FHC, Lula e Dilma foram eleitos, mas essa hipótese não teve força com a eleição de Bolsonaro. No caso de Dilma, ela teve pelo PSDB, partido de seu oponente Aécio Neves em 2014 um pedido de auditoria ao TSE. Em 2015, o ministro Dias Toffoli, enfatizou que não foi verificada nenhuma evidência de que houve adulteração de programas, de votos ou mesmo qualquer indício de violação ao sigilo do voto naquele pleito².
Acontece que mesmo nunca tendo sido comprovada qualquer fraude nas urnas eletrônicas no país, o principal sentimento que move esse pedido é o medo. Sim. O medo. E eu te explico… Não é a primeira vez que Bolsonaro ameaça não entregar a cadeira caso seja derrotado nas eleições do ano que vem, principalmente porque este é o indicativo, sua popularidade vem caindo cada vez mais e é preciso encontrar maneiras para ‘pretextos’. Resumindo, o que o Governo hoje quer, não é transparência nas eleições, é uma desculpa para alegar fraude, já que ‘recusaram’ a implementar o voto impresso, hoje chamado por Bolsonaro como ‘forma de auditar’.
Caso aconteça, a impressão poderia acontecer de duas maneiras: após digitar os votos nas urnas, ela lhe passa um comprovante, você confere e descarta, dessa maneira, o prejuízo seria apenas os custos aos cofres públicos. A segunda, seria ainda pior, você poderia ficar com o comprovante para apresentar em caso de contestação, dessa maneira, as urnas passariam LITERALMENTE a imprimir dinheiro. Sim, literalmente, pois dinheiro é na verdade um objeto para moeda de trocas, você pode ter milhares de dinheiro em um banco e não ter nenhuma nota, depois você vai lá e troca uma autorização por senha pela moeda, o que geraria um verdadeiro cartel de compra de votos.
Agora, a população brasileira é colocada em situação desconfortável, ou apoia a primeira maneira de impressão de voto, apenas para conferência, ou continua a rejeitar a proposta, dando para Bolsonaro a válvula de escape que tanto deseja para completar a sua imitação sulamericana de Donald Trump.
Só lembrando que o voto impresso é usado nos EUA, justamente no país onde Trump perdeu e se recusou a sair alegando fraudes. Além disso, o mesmo modelo defendido por apoiadores de Bolsonaro é similar ao usado na Venezuela desde 2004, país acusado de ter processo eleitoral fraudulento para manter Nicolàs Maduro no poder.




















