ARTIGO

Marcio Bittar e sua candidatura de fachada


A alta autoestima de Marcio Bittar é algo inquestionável. O senador – licenciado – decidiu de última hora ser candidato ao Palácio Rio Branco, sem ter elaborado plano de governo, para dar início a sua retaliação, por ter sido contrariado. O grande problema das autoestimas, no entanto, é que elas são o reflexo de como você se vê, não da realidade. Muitas vezes essa ilusão nos leva a encontrar grandes pedras nos caminhos que traçamos.

No discurso, Bittar se apresenta como uma solução pelo melhor ao Acre. Mas só no discurso, cada passo dado pelo senador denuncia de forma gritante suas intenções ao ser candidato ao Governo. Mesmo os mais desatentados eleitores conseguem comentar sobre sua “dor de cotovelo”.

Começa pela falta de compromisso partidário do senador, todos os seus passos levam a compreensão da sede de poder e desejo de beneficiar a si mesmo. Está presidente do União Brasil, ainda assim recusou que um membro de seu próprio partido pudesse se tornar vice-governador na chapa do candidato que ele mesmo já havia dito que acreditava na vitória. Sua ex-esposa está no PL, seu filho é presidente do Republicanos. Raramente se vê uma família de políticos espalhada entre tantos partidos diferentes.

A análise é clara: Bittar dificilmente tem chances de chegar pelo menos ao segundo turno. Falhou em cinco tentativas de concorrer a cargos majoritários: para o Senado em 2002, prefeitura de Rio Branco em 2004, Governo em 2006 e voltou a perder em 2014 ao tentar ser governador pela segunda vez.

Em 2018 foi eleito senador “pegando carona” na onda bolsonarista e o declínio instantâneo do PT, combinações que aconteceram em momento único da história: o povo queria mudança, mas ainda não sabia exatamente o que queria mudar. O resultado desse “novo Brasil” – que se tornou mais caótico ainda – pode ser visto em qualquer lugar a nossa volta e apenas conversas de “moral e bons costumes” não são mais suficientes para agradar o público.

O discurso bolsonarista que elegeu Bittar já provou não estar mais “na moda” em 2022, tendo em vista a iminente derrota de Jair Bolsonaro (PL), anunciada em praticamente todas as pesquisas eleitorais e a rejeição massiva do nome de Márcia Bittar (PL) no Acre, a quem Marcio tentou de todas as formas emplacar, mas em vão.

Essa rejeição talvez tenha sido o que levou Gladson Cameli a não arriscar sua reeleição e desistir de ter Márcia em seu palanque. No lugar, anunciou o deputado Alan Rick, mas este tinha um problema… Era do Democratas, que quando se uniu ao PSL de Marcio Bittar, se tornando o União Brasil, acabou por não ter poder de decidir para qual cargo disputaria. Principalmente após ser retirado de forma arbitrária da diretoria do partido, a que Alan considerou como um ato de golpe.

Como dito anteriormente, sem compromissos partidários, Marcio Bittar optou pelo caminho da vingança. A ideia não é vencer (mas se colar, colou), mas sim retirar votos de Gladson com a intenção de levar Mara Rocha (MDB) ao segundo turno, em troca de Márcia Bittar finalmente ser aceita em algum palanque. Isso não é bem um palpite, o Republicanos e o PL já declararam apoio a Mara e não a Marcio. Márcia é inclusive candidata ao Senado na chapa de Mara.

Todos os passos, indícios, anúncios e jogadas trazem em evidência de que a candidatura de Marcio Bittar para o Governo é, na verdade, uma fachada. Primeiro para impedir Alan de ser vice de Gladson, segundo para ajudar seu “novo grupo”.

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André Diogo