IRONIA

Mara Rocha usa debate para falar de perseguição da imprensa após ter pedido a “cabeça” de jornalistas


Durante o debate entre candidatos ao Governo do Acre, realizado nesta terça-feira (27) pela Rede Amazônica, Mara Rocha (MDB) fez um apelo para a população para que não deixasse a “esquerda” voltar ao poder alegando que eles querem “cercear os nossos direitos, a nossa fala, a internet, a imprensa e não podemos permitir isso”.

A fala foi feita durante uma pergunta do professor Nilson Euclides (PSOL) a respeito do tema crise humanitária. Nilson questionou como ela enxerga a questão da ajuda para haitianos e venezuelanos que estão migrando para o Brasil.

Mara Rocha, no entanto, não respondeu ao questionamento, aproveitando para fazer acusações contra os regimes desses países, ainda que o Haiti não tenha passado por regimes “comunistas”, como apontou a deputada, tendo sua crise gerada por um grave terremoto em 2010, que matou cerca de 230 mil pessoas e deixou mais de um milhão de desabrigados. Após ser corrigida por Nilson, que é cientista político por formação, ela aproveitou para trazer o tema a nível Brasil, insistindo que a “esquerda” queria voltar ao prazer para cercear a liberdade.

No entanto, foi Mara Rocha, que se considera uma conservadora cristã de direita, que tentou publicamente cercear a imprensa, os direitos e as falas na internet. Em fevereiro de 2021, quando ainda estava no PSDB, Mara pediu ao governador Gladson Cameli (veja o vídeo abaixo) as “cabeças” dos jornalistas Salomão Matos e Hedislandes Gadelha por críticas feitas ao senador Sérgio Petecão (PSD), hoje seu rival na disputa.

No vídeo, Mara cita Salomão Matos, que foi candidato a vereador por Porto Acre, afirmando que sua esposa estava indicada na Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) com cargo de CEC-2. Em seguida, ela menciona Hedislandes Gadelha, “cuja esposa ganha CEC-7 no governo do Estado”, disse a deputada.

Durante as eleições de 2020, Hedislandes chegou a fazer acusações de que foi agredido por militantes do PSDB que faziam campanha para os candidatos a prefeito Minoru Kinpara e vereador Pang Rocha, que é irmão de Mara. Hedislandes, que na hora denunciava uma queimada em um terreno baldio a poucos metros do local, causado por um dos fogos de artifícios do evento, diz ter sido vítima de censura, ao ser agredido publicamente.

Por fim, ela ainda criticou o jornalista Altino Machado, em atitude próximo a que condenou na noite do debate, o acusando de ter usado “palavras duras” contra o senador Marcio Bittar.

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André Diogo