Dizem que a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, tem o hábito de ler o jornal britânico The Guardian todos os dias. Um dos maiores do mundo, o jornal fez uma reportagem bem específica sobre o prefeito Tião Bocalom (Progressistas) nesta terça-feira (14) e disponibilizamos, na íntegra, a tradução em português para você.
Tradução: Anderson Siqueira
Brasileiros veem azul de prefeito pró-Bolsonaro cobrir o vermelho em ‘gruta’ do Papai Noel
O Natal nunca foi branco em Rio Branco, uma cidade escaldante do rio Amazonas onde as temperaturas em dezembro ficam perto dos 40ºC.
Esse ano ele também não será vermelho, devido a um “vai-vem” político sobre as cores da ‘gruta’ do Papai Noel que foi erguida pelo governo apoiador de Jair Bolsonaro da cidade.
A estrutura de madeira foi construída do lado de fora da prefeitura na semana passada como parte das festividades comandadas pelo prefeito conservador de Rio Branco, Tião Bocalom.
Mas houve um tumulto imediato após a casa do Papai Noel ser pintada de azul, a cor do partido de direita de Bocalom, em vez do vermelho geralmente associado com o “Pai do Natal”.
Alguns suspeitam que o esquema de cores não-ortodoxas reflete na crença entre apoiadores de extrema-direita de Bolsonaro que o vermelho é a cor dos degenerados comunistas que afirmam estar conspirando para transformar o país em uma ditadura estilo Cuba.
“Nossa bandeira nunca será vermelha” é um dos gritos de guerra favoritos dos apoiadores de Bolsonaro, da qual o prefeito de Rio Branco é um.
No sábado, o governo de Bocalom pareceu ficar preocupado com uma comoção que vinha crescendo ao redor da cor da casinha e ela foi repintada de branco e depois de vermelho na véspera de sua inauguração. “Parece piada, mas não é”, disse o site local de notícias Ac24Horas.
No domingo, no entanto, a residência ribeirinha foi novamente pintada de azul, fazendo com que o prefeito desse voltas para explicar a trapalhada de sua administração sobre a pintura politizada.
“Qual a diferença se é azul ou vermelho? Eu não sei porque as pessoas estão falando sobre isso”, se irritou Bocalom quando perguntado pelos repórteres sobre a controvérsia.
O prefeito afirmou que durante anos os políticos de esquerda que governaram Rio Branco e o estado do Acre pintaram as coisas de vermelho no Natal. “Agora nós usamos o azul. Qual o problema?”.
Os analistas viram o delírio da gruta Amazônica como mais uma prova da richa política, muitas vezes ridícula, que acontece desde que Bolsonaro estava vencendo as eleições em 2018 enquanto prometia banir os “bandidos vermelhos” do país. “Nem mesmo o Papai Noel está imune”, tuítou Thomas Traumann, comentarista político do Rio de Janeiro.
Bocalom tentou acalmar a situação na segunda-feira, dizendo: “Natal é azul, é vermelho, é amarelo.”
Na noite de segunda, o natal havia escurecido, depois que uma lona preta foi colocada sobre a cabana camaleônica do Papai Noel por razões que não ficaram claras.
“Nós continuaremos acompanhando essa história para saber qual será a cor do Natal aqui em Rio Branco”, disse em tom de mistério um repórter de rádio local, Victor Lebre, aos seus ouvintes, enquanto os brasileiros tentam entender a disputa decorativa da cidade.




















