O ex-Ministro da Educação do governo Bolsonaro, Milton Ribeiro, que pediu exoneração do cargo após vazamento de um esquema envolvendo pastores que cobravam propina para intermediar recursos para escolas já declarou apoio à candidatura do senador Sérgio Petecão (PSD) ao governo do Acre.
A declaração foi dada quando o ministro esteve na capital acreana em fevereiro, na ocasião Milton Ribeiro disse:
“Eu vou vir aqui para ajudá-lo naquilo que for possível, viu? Só não transfiro meu título porque tenho compromisso, senão eu vinha aqui votar em você”.
Milton Ribeiro, que também é pastor, viu uma situação insustentável para continuar como ministro após vazamento de áudios onde ele admite que prioriza a liberação de verbas da educação à prefeituras ligadas a dois pastores.
Antes disso, como titular da pasta, Ribeiro colecionava frases controversas que foram amplamente criticadas, além de crises de gestão no Ministério da Educação (MEC) que provocaram debandadas em entidades da pasta.
Em um resumo feito pelo jornal Extra, do Grupo Globo, em setembro de 2020, Ribeiro fez declarações homofóbicas relacionando a homossexualidade a famílias desestruturadas. “Acho que o adolescente, que muitas vezes, opta por andar no caminho do homossexualismo (sic), tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe”, disse. A fala fez a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciá-lo ao STF por crime de homofobia.
No ano passado, Ribeiro declarou que a “universidade deveria, na verdade, ser para poucos”. Além disso, afirmou que, quando um aluno com deficiência é incluído em salas de aula comuns, ele não aprende e ainda “atrapalha” a aprendizagem dos colegas.
Também no ano passado, há menos de três semanas da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 37 servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, entregaram seus cargos numa demissão em massa da entidade. Eles justificaram a saída pela “fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima” do órgão, além de mencionaram episódios de assédio moral.
Após o episódio dos servidores do Inep relataram uma tentativa de interferência na montagem do Enem. Alguns profissionais acusaram o órgão subordinado a Ribeiro de praticar pressão e vigilância para que evitassem escolher questões polêmicas na prova que eventualmente poderiam incomodar Bolsonaro.




















