A tensão entre o vice-governador Wherles Rocha (PSL) e o governador Gladson Cameli (sem partido) vem aumentando cada vez mais e aquilo que circulava internamente vem se tornando público, em uma publicação em seu Facebook, Rocha, faz acusações graves graves contra o governo, como se dele não fizesse parte.
Em um texto intitulado por ele como “A questão nebulosa envolvendo a verba de mídia do governo do Acre”, o major cita declarações de Weverton Oliveira dos Santos, mais conhecido como Silvio Santos, ex-assessor do governo lotado da Secretaria de Comunicação (Secom) e sem afirmar convicções, supõe que o governo estaria pagando a imprensa para atacá-lo desde o início do mandato.
Rocha cita ainda que solicitou à Secom algumas informações a respeito das destinações e os materiais que foram veiculados nas mais diversas mídias e diz que recebeu uma resposta diferente da que estava esperando. O vice-governador diz ainda que só para a Covid-19 foram destinadas cerca de R$ 1,2 milhões a serem gastos entre maio e junho deste ano para a conscientização da doença, em um processo de contratação de emergência.
“Solicitei deste contrato em específico que a SECOM informasse quanto foi gasto com TVs, Sites, Rádios, prospecto, panfletos e mídias diversas, especificando também o valor que cada empresa ganhou e o critério utilizado ao repassar esses valores.”, disse Rocha
“Um gabinete do ódio para chamar de seu”
Em publicação mais recente, Rocha volta a reclamar que vem sofrendo ataques de comissionados nomeados diretamente por Gladson Cameli e veículos de comunicação pagos com recursos públicos e cita Hedislandes Gadelha, que é bastante conhecido nas redes sociais pelas polêmicas causadas contra qualquer político.
Segundo Rocha, Gadelha havia o desafiado para “quase um duelo” e pediu providências à Casa Civil do Governador, sobre isso, ele disse:
“Essa [Casa Civil] por sua vez fez ouvidos moucos e sequer respondeu ao meu pedido. Claro que a conclusão que cheguei não poderia ser outra a não ser que o dito comissionado estava apenas cumprindo ordens de alguém.”
Acusações de abuso de poder
No mesmo texto, o vice-governador afirma que um dos motivos da demissão de Silvio Santos foi a recusa em apoiar a candidata defendida por Gladson, a atual prefeita Socorro Neri (PSB), a qual Santos e Rocha costumam chamar de “candidata petista”, fato que Rocha comparou com “caso típico de abuso de poder”.
Ironicamente, a acusação de abuso de poder feita por Rocha vem na mesma semana em que o Ministério Público do Acre (MPAC) abriu inquérito contra o vice-governador após denúncia da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre na qual ele teria supostamente praticado o crime de abuso de poder ao inocentar a policial militar Raquel Santos de Souza.
Na narrativa, como vice-governador do Estado em exercício, na data de 25 de maio de 2020, expediu o Decreto nº 6.014, publicado no Diário Oficial do Estado do Acre, nº 12.806, de 26 de maio de 2020, anulando punições impostas contra a militar sob a argumentação de injustiça, mas sem apresentar os argumentos. Em sua defesa, Rocha disse:
“Geralmente o uso do poder e seu desvio de finalidade é utilizado por muitos para prejudicar alguém. Longe de mim também usar este mesmo poder para beneficiar alguém, no caso em específico, a militar Raquel Santos de Souza sem as devidas cautelas jurídicas”
Apesar de Silvio Santos alegar que foi exonerado por recusar apoio à Socorro Neri, servidores da Secretaria Estadual de Educação (SEE) confirmam que o governador esteve no órgão e deu carta branca para que eles apoiem quem quiserem nessas eleições, em contrapartida em que Silvio Santos teve diversos áudios vazados, fazendo duras críticas a Gladson e sua gestão.
Críticas à FênixSoft e Avancard
Antes das acusações de que estaria sofrendo conspiração por parte do governado, Rocha fez duras críticas à forma de atuação da empresa FênixSoft, responsável pelos empréstimos consignados dos servidores públicos estaduais e ao cartão Avancard, o militar chegou a citar cinco motivos para ficar de olho na empresa.
Gladson chegou a rebater a crítica questionando qual seria o interesse por trás de major Rocha de atacar a empresa, mas Rocha voltou a atacar a empresa dizendo que “algo não cheira bem”. Após as acusações do major, o MPAC abriu inquérito Civil para investigar as empresas.
Eleições 2020
A crise entre os dois começou a esquentar desde que Gladson decidiu apoiar Socorro Neri para a prefeitura de Rio Branco e Major Rocha decidiu apoiar o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara (PSDB), que tem longa história na Frente Popular, já foi candidato a senador pela Rede Sustentabilidade de Marina Silva, mas é Socorro quem recebe do vice-governador a alcunha de “candidata petista”.
Crise entre Gladson e a irmã de Major Rocha
Gladson, que chegou a ser cogitado no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) também teve atritos com a irmã de Wherles, a deputada federal Mara Rocha (PSDB), no dia 24 de agosto, o vazamento de uma “lista negra” que continha 30 cargos comissionados indicados pela deputada federal Mara Rocha (PSDB) para exoneração, deixou o clima insustentável entre a parlamentar e o governador do Acre, Gladson Cameli.
A ameaça, porém, foi concretizada na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) do dia 4 de setembro, onde 17 dos 30 nomes da lista foram exonerados pelo chefe do executivo estadual, com CEC’s que variam de 1 a 7.
Na ocasião do vazamento da lista, o governador e a deputada chegaram a trocar farpas, em um print, vazado nas redes sociais, Mara Rocha logo após tomar conhecimento da lista teria enviado uma mensagem a Gladson, onde manda que o mesmo “engula seus cargos”. Algumas horas depois, aparentemente irritado com a mensagem de Mara, o governador Gladson Cameli responde chamando a deputada de “babaca” e “mal amada”.
Poucos dias depois, Gladson fez as pazes com o vice-governador em uma reunião em São Paulo (SP) e chegou a se desculpar com a deputada dizendo que “se excedeu”, mas as exonerações voltaram a complicar a relação entre eles e a crise estava apenas começando.




















