O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (Progressistas), parece ter perdido completamente as rédeas do problema com o transporte público na capital acreana. Visivelmente sem saber o que fazer, recorreu àquilo que tanto criticou durante sua campanha: o aporte financeiro.
Nesta quarta (29), a prefeitura enviou à Câmara de Vereadores um Projeto de Lei Complementar (PLC) que propõe um aporte financeiro no valor de R$ 7.940.156,50 para a empresa Ricco Transportes, que anunciou que rescindirá o contrato com Rio Branco, alegando prejuízos financeiros para operar na capital.
Com o novo aporte, os valores totais chegariam a R$ 10,3 milhões, já que em outubro do ano passado foi feito um repasse de R$ 2,4 milhões para as empresas de ônibus que atuavam na época.
Após denúncias, o Ministério Público do Acre (MPAC) decidiu ‘entrar no jogo’ e instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na contratação emergencial da Ricco, que hoje detém monopólio por ser a única empresa que opera no transporte público de Rio Branco.
Conforme o MPAC, a investigação busca saber de que forma foi conduzido o processo de contratação emergencial da empresa pela RBTrans (Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito). A empresa inclusive causou problemas com a prefeitura do Rio de Janeiro, já que o prefeito Eduardo Paes (PSD) alegou que foram retirados ônibus de circulação da capital fluminense para serem trazidos para Rio Branco sem sua autorização.
A apuração da contratação da Ricco é feita pela 2ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Patrimônio Público, Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social e leva em consideração também um relatório de análise técnica do MP-AC que apontou a existência de ilegalidade e violação aos princípios da competitividade, impessoalidade e igualdade na escolha da empresa.