BLOG DO SIQUEIRA

Tentaram censurar o Lollapalooza, mas tiro saiu pela culatra


O Brasil recebeu durante este final de semana o maior evento musical desde o início da pandemia, o Lollapalooza 2022. Os festivais sempre serviram de palco para manifestações políticas, com esse não foi diferente.

Começou com a cantora Pabllo Vittar, que durante sua apresentação desceu do palco e desfilou com uma bandeira vermelha com o rosto do ex-presidente Lula. Naquele mesmo dia, o rapper Emicida fez um apelo para que os jovens tirassem seus títulos de eleitores e votassem, também fazendo crítica ao presidente Bolsonaro (PL).

No domingo (27), último dia de festival, o público se revoltou ao ver que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tentou proibir os atos, atendendo a um pedido formulado pelo partido de Jair Bolsonaro. A decisão monocrática foi dada pelo ministro Raúl Araújo, que estabeleceu multa de R$ 50 mil em caso de novas ocorrências. Foi também Araújo que no dia 23 de março negou um pedido do PT para retirar outdoors pró-Bolsonaro em quatro estados.

PROPAGANDA ELEITORAL

Artistas vêm se manifestando politicamente em suas redes sociais desde a eleição de Bolsonaro em 2018. Pabllo Vittar foi uma das que sempre se mantiveram ativas neste processo. A questão é, seria propaganda eleitoral apenas se ela tivesse recebido dinheiro para fazê-lo, o que não foi comprovado.

AINDA TEM ROCK IN RIO

Há quem diga que o Lollapalooza foi apenas um “esquenta” para o Rock in Rio que acontecerá em junho.

BOLSONARO SEM EVENTO

De fato, um dos eventos que mais ativa o sentimento de “patriotismo” no brasileiro é a Copa do Mundo, onde as casas costumam ser enfeitadas de verde e amarelo, famílias se reúnem para ver a Seleção jogar e usar a camisa da CBF, que ficou conhecida como um dos símbolos do bolsonarismo. Um possível hexacampeonato poderia levantar um terreno fértil para ideias nacionalistas que funcionaram nas eleições de 2018, mas que a população já vê com desconfiança neste ano. Para azar de Bolsonaro, a Copa acontece apenas no final de novembro, após as eleições.

SE ATRAPALHARAM

Foi fato que poucos artistas respeitaram a decisão do TSE. Tivemos Anitta e Felipe Neto nas redes sociais se oferecendo para pagar multa de quem se rebelasse, Anitta chegou a declarar que R$ 50 mil seria apenas uma “bolsa a menos”. Ainda assim, a bolsa não precisará ser sacrificada, uma confusão do Partido Liberal impediu que a decisão de Araújo fosse colocada em prática. Na petição original, o partido citou a empresa Lollapalooza Brasil Serviços de Internet Ltda, que nada tem a ver com a produtora do evento.

TIRO PELA CULATRA

Outro ponto é que a decisão proibia apenas manifestações políticas a favor de candidato, o que saiu pela culatra intensificando a revolta contra Bolsonaro.

REBELDIA

Fresno abriu as rodadas do #ForaBolsonaro após a decisão do TSE. Outros artistas como o rapper Djonga, Marina Sena, Gloria Groove e Criolo seguiram o barco. Mas foi Marcelo D2 em uma apresentação lendária do Planet Hemp que deu o maior “drible” no tribunal: “já que não podemos falar de política, vamos homenagear o festival”, seguindo de gritos de “ô lê ô lá Lolla, Lolla” (ouça isso com a pronúncia puxando para Lula).

 

 

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André Diogo