A vacina chegou a Rio Branco junto com o negacionismo… e vem perdendo a corrida


Blog do Siqueira

Se o coronavírus é como um fogo que queima quem encostar nele, o negacionismo é o combustível que aumenta o alcance das chamas. É com essa metáfora que vamos começar o texto no blog.

Esses dois fatores juntos levaram o Brasil à ruína que vivemos hoje, enquanto a Colômbia, país vizinho com menos recursos já começa a abrir cinemas, teatros e festas, nós seguramos o fardo hoje de ser o país mais atrasado no combate a pandemia de todo o mundo. Uma lição que deveria ter sido aprendida por todos, ainda mais quando finalmente conseguimos ter uma vacina para ajudar no combate, mas em Rio Branco, ela chegou junto com o negacionismo e o maior problema, é que ela vem perdendo essa corrida.

Fazendo escola

É de se lamentar que de tantos exemplos no país, Bocalom tenha puxado logo para Bolsonaro. Um é professor e o outro é militar, mas têm praticamente a mesma idade e a mesma teimosia, que desafia até as questões mais óbvias da ciência… O resultado disso vem sendo mostrado diariamente nos tabloides.

Cadê o cronograma?

No último sábado (20) no Acre recebeu mais de 30 mil doses de vacina contra a Covid-19, mas a segunda-feira (22) começou na prefeitura com clima de feriado, como se não tivessem 15 pessoas esperando por um leito de UTI. Pior do que esse atraso é quando os responsáveis pelo processo tentam justificar…

“Paciência”

Foi o que pediu o secretário Municipal de Saúde, Frank Lima, em um vídeo onde tenta explicar a lambança da falta de cronograma, ele tenta jogar a responsabilidade para o Governo, segundo ele, as vacinas que chegaram no sábado inicialmente seriam para os ribeirinhos.

Mas estão guardadas…

No mesmo vídeo, Frank também afirma de forma confusa que as vacinas não poderiam atender a todos os ribeirinhos e estão guardadas em refrigeradores, esperando o fim da “burocracia” para que então sejam direcionadas para os idosos e o processo de vacinação retorne somente na quarta-feira (24). Acredite, ele explicou isso com a justificativa de “tranquilizar” a população.

Um buraco, duas cenas trágicas

Até quando acerta, Bocalom tem errado. Aproveitou o baixo movimento do “lockdown” para fazer um reparo em um trecho da Avenida Ceará, isso é uma atitude de um bom gestor, o trecho é um dos mais movimentados da capital, se o reparo era necessário, o momento era oportuno. Mas ele viria acompanhado de duas situações trágicas, uma delas foi que o buraco aberto pela prefeitura foi tão grande que caiu um carro inteiro dentro, felizmente, o motorista está bem…

Desobediência civil

A segunda situação a se lamentar é a teimosia de Bocalom, para comemorar o fechamento do buraco que ele abriu, tirou um selfie com a equipe da Emurb. Mas em total desrespeito a todos os que sofrem pela doença em seu pico em Rio Branco, Bocalom abriu mão da máscara, do distanciamento e promoveu aglomeração em um dia de lockdown. Vale lembrar que está em vigor a lei que prevê multa de R$ 74,47 para quem for flagrado sem máscara em via pública.

Contribuindo com o caos

A atitude de Bocalom parece pequena, você pode até dizer que é um exagero, mas não é, muitas dessas pessoas que hoje estão morrendo nos hospitais do Acre se descuidaram em algum momento e foram encorajadas por atitudes como essa. São 15 pessoas esperando por uma vaga na UTI, a cidade não tem mais capacidade de dar conta da pandemia, alguns estão inclusive sendo transferidos para outros estados.

Sem máscara, sem isolamento e em dia de ‘lockdown’, Bocalom posa para foto ao lado de servidores da Emurb. — Divulgação

Desobediência civil – parte II

Falando em desobediência civil, a vice-prefeita Marfisa Galvão (PSD) foi flagrada no domingo (21) compartilhando um texto de origem duvidosa no WhatsApp onde um grupo de supostos empresários anunciam que não irão respeitar os decretos de fechamento do comércio, com direito a “legítima defesa”. Já foi confirmado que o texto se trata de uma fake news, pelo menos para o Estado do Acre, mas promover desobediência civil não é, foi real. Marfisa já havia ainda no sábado (20) feito postagens via stories contra o isolamento social.

Falso positivo

Falando na Marfisa, gostaria de parabenizá-la por ter descoberto que sua reinfecção pela Covid-19 se tratou de um falso positivo. Não ter a doença, é motivo de muita felicidade. Para quem não acompanhou, a vice-prefeita chegou a anunciar que estava reinfectada pelo vírus, mas através de um vídeo no Instagram ela explicou a confusão…

Marfisa prova que isolamento social funciona

No vídeo, Marfisa diz que pessoas do seu convívio começaram a apresentar sintomas de Covid-19 e testaram positivo. Segundo a gestora, essas pessoas realizaram o tratamento, se recuperaram e retornaram ao trabalho, porém, mais pessoas continuavam adoecendo, o que fez com que ela acreditasse que ela poderia estar infectando.

No final, não era ela. Mas com esse vídeo, Marfisa conseguiu mostrar, ainda que indiretamente, que o ambiente de trabalho pode ter sido o fator principal para que essas pessoas se infectassem. Se estivessem em regime de home office, caso a função permita, muito provavelmente isso não teria acontecido.

Perdendo a corrida

“A impressão que temos é que a Prefeitura não tem pressa, e ainda não encontrou o caminho para avançar na imunização”, disse o vereador Emerson Jarude (MDB) sobre o processo de vacinação em seu perfil no Twitter. Eu concordo, muito disso se deve a falta de vontade de dialogar com a população e com o Governo do Estado, temos visto cenários cada vez mais caóticos e de desunião entre os poderes, enquanto isso, o povo fica perdido sobre o que acreditar e qual caminho seguir.

Contrato assinado

Por fim, Gladson Cameli assinou nesta tarde o contrato para a aquisição de 700 mil doses da vacina Sputnik V contra Covid-19, fabricada na Rússia. Elas custarão em torno de R$ 40 milhões e devem imunizar 350 mil pessoas no Acre. A previsão de chegada é entre os meses de abril e junho. Um pouco de esperança em meio a tanto caos.

Post navigation

Avatar de André Diogo

André Diogo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *