Um dia depois do diretor-presidente do Iapen/AC ter dito publicamente que mais de 400 presos já foram soltos em virtude da pandemia do novo coronavírus, o jornalismo do Correio 68 teve acesso exclusivo ao conteúdo de uma carta supostamente escrita por detentas da Unidade Feminina Francisco de Oliveira Conde (FOC).
Na carta, endereçada à imprensa do Acre, as presas relatam a situação do presídio em meio à pandemia da Covid-19.
“Estamos no corredor da morte. O que estávamos temendo chegou aqui, a Covid-19. Em meio a centenas de detentas já há casos confirmados e dezenas de suspeitas com sintomas de coronavírus”.
As detentas afirmam que algumas agentes e até o diretor da unidade já foi infectado pela doença.
“O diretor da unidade já esteve infectado, aparentemente já está curado, algumas agentes também foram afastadas, contudo, não houve jeito. A Covid-19 chegou aos pavilhões femininos e estamos desesperadas”.
Sobre a medidas de isolamento e tratamento implementadas pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre dentro dos presídios, a carta revela serem ineficientes.
“Porque o isolamento sem tratamento não está adiantando. A triagem está lotada de mulheres com sintomas e não tem assistência médica”.
A carta revela ainda, que segundo as detentas, na unidade feminina existem pessoas do grupo de risco do coronavírus que sofrem de comorbidades, fator que pode agravar o quadro clínico diante da Covid-19.
“Aqui há muitas detentas que são do grupo de risco, que sofrem de hipertensão, doenças crônicas, problemas respiratórios e cardíacos”.
A carta encerra com um apelo as autoridades à frente daquilo que pode virar, segundo elas, um genocídio.
“Por favor, voltem seus olhos para nós. No Brasil não há pena de morte, e nós estamos a morrer”.
A reportagem do Correio 68 tentou entrar em contato com o o Iapen/AC através de contato telefônico para apurar a situação relatada na carta, mas não teve êxito nas ligações feitas à Sede da Instituição.
Leia a íntegra das cartas:






















