ECONOMIA

MINERAÇÃO: Nova Política de Minerais Críticos Aposta em Rastreabilidade, Tecnologia e Agregação de Valor no Brasil


Medida Cria Mecanismos para Fortalecer Pesquisa, Transformação Mineral, Qualificação Profissional e Desenvolvimento de Cadeias Produtivas Estratégicas

A criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos inaugura uma nova etapa para o setor mineral brasileiro. A proposta amplia o foco sobre os recursos extraídos no país e estabelece instrumentos destinados a estimular não apenas a pesquisa e a produção, mas também o beneficiamento, a transformação mineral, a inovação tecnológica e a formação de profissionais especializados.

A iniciativa também incorpora mecanismos de rastreabilidade e cria novas atribuições relacionadas à atuação regulatória e fiscalizatória da Agência Nacional de Mineração (ANM). O objetivo é estruturar cadeias produtivas capazes de transformar o potencial geológico brasileiro em conhecimento, tecnologia, atividade industrial e desenvolvimento regional.


Política Busca Fortalecer Toda a Cadeia dos Minerais Estratégicos

A nova política abrange diferentes etapas da atividade mineral, desde a pesquisa e a lavra até o beneficiamento, a transformação dos minérios e a chamada mineração urbana, relacionada ao aproveitamento de materiais presentes em produtos e resíduos.

O conceito de minerais críticos está associado a recursos cuja eventual dificuldade de abastecimento pode provocar impactos em setores considerados essenciais. Já os minerais classificados como estratégicos estão relacionados à sua importância para áreas como desenvolvimento tecnológico, crescimento regional, comércio exterior e redução das emissões de gases de efeito estufa.

A estratégia pretende, dessa forma, ampliar a capacidade brasileira de participar das etapas de maior valor agregado das cadeias minerais.


Rastreabilidade Deverá Ampliar Controle Sobre Origem dos Minerais

Um dos mecanismos previstos pela política é a criação de um sistema de rastreabilidade mineral. A ferramenta deverá reunir informações sobre a origem dos materiais, sua composição e trajetória, além de dados relacionados a licenças e aos agentes envolvidos nas transações.

A identificação e a marcação dos minerais ficarão sob supervisão da ANM. A implementação, entretanto, ainda dependerá de regulamentação específica.

Entre os pontos que deverão ser detalhados estão os padrões técnicos, as entidades que poderão atuar no sistema e os períodos destinados à adaptação dos agentes do setor.

A proposta de rastreabilidade pode ampliar a disponibilidade de informações sobre a cadeia produtiva e oferecer mecanismos adicionais para fiscalização e acompanhamento das operações minerais.


ANM Mantém Funções Regulatórias e Ganha Novas Atribuições

A legislação estabelece uma divisão entre a formulação da política pública e as atividades de regulação e fiscalização do setor mineral.

O Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos deverá atuar na coordenação da política, na definição das substâncias consideradas prioritárias e na seleção de projetos.

As competências da ANM relacionadas à regulação, fiscalização e outorga são preservadas. A Agência também deverá participar da análise de empreendimentos vinculados à política.

Outra frente envolve o Cadastro Nacional de Projetos, que terá caráter público e deverá ser integrado ao SIGMINE. A ANM também terá responsabilidades relacionadas à priorização de áreas para leilões, à habilitação e fiscalização de projetos de pesquisa e inovação e ao registro de contratos privados de financiamento mineral.


Incentivos Financeiros Miram Transformação Dentro do País

A política também cria instrumentos voltados à atração de investimentos e ao desenvolvimento de projetos minerais.

Entre as iniciativas previstas estão o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos, o Certificado Mineral de Baixo Carbono, o cadastro nacional de projetos e uma rede voltada à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à formação profissional.

Os mecanismos financeiros têm como uma das finalidades estimular investimentos que avancem além da simples extração dos recursos.

A lógica é favorecer projetos capazes de incorporar etapas de beneficiamento e transformação industrial, ampliando a participação brasileira na cadeia de valor dos minerais considerados estratégicos.


Formação Profissional Aparece como Desafio para o Setor

A disponibilidade de mão de obra especializada é outro ponto relevante para o desenvolvimento das cadeias de minerais críticos.

Debates acompanhados pela ANM destacaram a falta de profissionais com formação específica em áreas relacionadas ao processamento e à separação de determinados minerais, incluindo elementos de terras raras.

A nova política prevê uma rede nacional de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação profissional, reunindo instituições de ensino, centros de pesquisa, empresas e programas de capacitação.

A proposta busca aproximar a formação acadêmica das necessidades da indústria e ampliar a capacidade nacional de produzir conhecimento aplicado ao setor mineral.


Amazônia Legal Concentra Parte Importante do Potencial Mineral

A Amazônia Legal aparece como uma das regiões centrais para a implementação da política.

Levantamento divulgado pela ANM aponta uma concentração expressiva de processos relacionados a minerais críticos e estratégicos na região. Dentro desse território, o Pará apresenta participação relevante.

O cenário coloca desafios adicionais para a expansão das atividades minerais, principalmente diante da presença de áreas protegidas e da necessidade de compatibilizar exploração econômica, conservação ambiental e desenvolvimento regional.

Nesse contexto, planejamento territorial, segurança regulatória e participação das comunidades tornam-se elementos importantes para a implantação de novos projetos.


Desenvolvimento Mineral Depende de Planejamento e Proteção Socioambiental

A expansão das cadeias de minerais críticos não envolve apenas investimentos e infraestrutura. A implementação da política também deverá considerar as características dos territórios onde os empreendimentos serão instalados.

Na Amazônia, por exemplo, projetos minerais podem envolver áreas ambientalmente sensíveis e comunidades diretamente afetadas pelas atividades econômicas.

Por isso, a consolidação de uma cadeia nacional de minerais estratégicos deverá depender da articulação entre regulação, planejamento territorial, inovação, proteção ambiental e diálogo social.


Implementação Ainda Depende de Regulamentação

Apesar da criação da política, parte importante de seus mecanismos ainda precisará ser regulamentada.

O novo modelo deverá avançar na definição das substâncias consideradas prioritárias, dos critérios para seleção de projetos, das regras de funcionamento do cadastro, dos procedimentos de certificação e dos padrões técnicos relacionados à rastreabilidade.

A instalação e regulamentação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos também fazem parte da etapa de implementação.

Na prática, a efetividade da política dependerá de como essas regras serão transformadas em procedimentos administrativos, informações públicas, fiscalização e estímulos concretos à industrialização.


O Que Muda para o Setor Mineral

Entre os principais pontos da nova política estão:

  • Maior integração entre pesquisa mineral e transformação industrial;
  • Criação de mecanismos de rastreabilidade dos minerais;
  • Fortalecimento da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico;
  • Estímulo à formação de profissionais especializados;
  • Criação de instrumentos de financiamento e garantia para projetos;
  • Ampliação da participação da ANM na implementação da política;
  • Criação de um cadastro público de projetos;
  • Incentivo à agregação de valor aos minerais produzidos no país;
  • Atenção ao desenvolvimento regional e às questões socioambientais.

A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos coloca o Brasil diante do desafio de transformar sua riqueza mineral em capacidade tecnológica, industrial e econômica.

Mais do que ampliar a produção de minérios, a proposta busca estimular uma cadeia que envolva pesquisa, inovação, beneficiamento, transformação, qualificação profissional e rastreabilidade.

A etapa decisiva começa agora, com a regulamentação dos instrumentos previstos e a definição dos procedimentos necessários para colocá-los em funcionamento. O resultado dependerá da capacidade de aproximar governo, empresas, instituições de pesquisa e comunidades em torno de projetos que conciliem segurança regulatória, agregação de valor, desenvolvimento regional e responsabilidade socioambiental.

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O que são minerais críticos?

São recursos minerais considerados importantes para setores essenciais e que podem estar sujeitos a riscos de abastecimento capazes de afetar atividades econômicas relevantes.

O que são minerais estratégicos?

São minerais considerados relevantes para o desenvolvimento tecnológico e regional, para a balança comercial ou para iniciativas relacionadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.

O que é a rastreabilidade mineral?

É um mecanismo destinado a acompanhar informações sobre a origem, a composição e o percurso dos minerais, além de dados sobre licenças e agentes envolvidos nas operações.

Qual será o papel da ANM na nova política?

A Agência continuará responsável por suas funções regulatórias, fiscalizatórias e de outorga e também terá novas atribuições relacionadas à implementação da política, incluindo atividades ligadas à rastreabilidade e ao acompanhamento de projetos.

A política trata apenas da extração de minerais?

Não. A iniciativa contempla diferentes etapas da cadeia, incluindo pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana.

Por que a formação profissional é importante para o setor?

A expansão de cadeias minerais mais sofisticadas exige profissionais especializados em pesquisa, processamento, tecnologia e transformação dos recursos. A política prevê uma rede voltada à pesquisa, inovação e capacitação.

A Amazônia Legal está incluída na política?

Sim. A região possui participação relevante nas atividades relacionadas a minerais críticos e estratégicos e deverá ser um dos territórios importantes para a implementação da política, considerando também os desafios ambientais e sociais existentes.

A nova política já está totalmente regulamentada?

Não. A implementação de diversos mecanismos ainda depende de regulamentação, incluindo regras relacionadas ao cadastro, à certificação, à rastreabilidade e à definição das substâncias prioritárias.

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Ana Cristina - Redatora