BENEFÍCIO

VULNERÁVEIS: Auxílio a Órfãos do Feminicídio Já Atende 18 Crianças e Adolescentes no Acre


Benefício de um Salário Mínimo Mensal Atende Filhos de Vítimas de Feminicídio em Situação de Vulnerabilidade Social no estado

A dor causada pelo feminicídio deixa marcas profundas nas famílias e, principalmente, nos filhos das vítimas. No Acre, 18 crianças e adolescentes que perderam as mães para a violência de gênero já recebem um auxílio financeiro criado para garantir proteção social e minimizar os impactos da tragédia.

O benefício estadual, regulamentado em agosto de 2025 e pago desde abril deste ano, garante o valor de um salário mínimo mensal aos órfãos do feminicídio em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Atualmente, cinco famílias acreanas são contempladas pelo programa.


Como Funciona o Auxílio para Órfãos do Feminicídio no Acre

O benefício foi criado por lei estadual em 2022 e atende menores de 18 anos que:

  • Perderam a mãe vítima de feminicídio;
  • Moram no Acre;
  • Estão em situação de vulnerabilidade social.

As famílias interessadas devem procurar a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) para solicitar o auxílio.

Segundo a secretária da Mulher, Simone Santiago, o número de famílias atendidas aumentou nos últimos meses.

“Hoje já temos nove famílias, cinco delas começaram a receber esse ano. Os 18 órfãos do feminicídio já estão recebendo efetivamente o valor de um salário mínimo”, afirmou em entrevista à Rede Amazônica.


Lei também Prevê Apoio Psicológico e Assistência Social

Além do pagamento mensal, a legislação estadual determina que os órfãos tenham acesso a:

  • Acompanhamento psicossocial;
  • Atendimento psicoterapêutico;
  • Suporte da rede de assistência social;
  • Atendimento prioritário nos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).

A norma também estabelece que o benefício não pode ser concedido em casos de adoção legal, já que a adoção altera a condição civil de filiação.


Governo Federal Discute Ampliação do Acesso ao Benefício

A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra, afirmou que o governo federal estuda formas de facilitar o acesso ao benefício diretamente pelo sistema do INSS.

“Nós queremos que no aplicativo do INSS exista o ícone para a pensão dos filhos órfãos de feminicídio. É exatamente esse aspecto da acessibilidade”, explicou.


Mais de 100 Crianças Ficaram Órfãs por Feminicídio no Acre em Quatro Anos

Dados apresentados em março deste ano durante reunião no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) revelaram um cenário alarmante: 111 crianças e adolescentes ficaram órfãos em decorrência de feminicídios nos últimos quatro anos no estado.

O encontro reuniu representantes de diversos órgãos públicos para discutir medidas de proteção, acolhimento e acompanhamento dessas vítimas indiretas da violência.


Acre Lidera Índice Proporcional de Assassinatos de Mulheres

O Acre continua registrando números preocupantes relacionados à violência contra a mulher.

De acordo com o Observatório de Violência de Gênero do Ministério Público do Acre (MP-AC), entre janeiro de 2018 e 21 de janeiro de 2026 foram registrados:

  • 91 feminicídios;
  • 158 tentativas de feminicídio.

O estado possui atualmente a maior taxa proporcional de assassinatos de mulheres do país, com média estimada de 1,58 caso por 100 mil habitantes.

Somente em 2025, foram registrados 14 feminicídios — o maior número da década no estado, repetindo os índices observados em 2016 e 2018.

Feminicídios registrados no Acre desde 2020

AnoCasos
202012
202113
20229
202310
20248
202514

O Que Caracteriza Feminicídio

O feminicídio foi tipificado como crime no Brasil em março de 2015. A legislação considera feminicídio quando o assassinato de uma mulher ocorre em contexto de:

  • Violência doméstica e familiar;
  • Menosprezo à condição de mulher;
  • Discriminação de gênero.

As penas variam de 12 a 30 anos de prisão.


O avanço do auxílio destinado aos órfãos do feminicídio representa uma importante medida de proteção social no Acre, especialmente diante do aumento dos casos de violência contra a mulher no estado. Além do suporte financeiro, o acompanhamento psicológico e social busca garantir acolhimento e melhores condições de desenvolvimento para crianças e adolescentes impactados pela perda materna.

O cenário, no entanto, reforça a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção à violência de gênero, ampliação da rede de apoio às vítimas e maior facilidade de acesso aos benefícios já existentes.

A violência contra a mulher deixa consequências que atingem famílias inteiras e marcam a vida de crianças e adolescentes. Você acredita que o auxílio para órfãos do feminicídio deveria ser ampliado para todo o Brasil? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar o debate sobre proteção às vítimas da violência de gênero.


Quem tem direito ao auxílio para órfãos do feminicídio no Acre?

O benefício é destinado a crianças e adolescentes menores de 18 anos que perderam a mãe vítima de feminicídio, residem no Acre e estão em situação de vulnerabilidade social.

Qual o valor do benefício?

O auxílio garante o pagamento mensal de um salário mínimo para cada beneficiário.

Como solicitar o auxílio?

As famílias devem procurar a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) para iniciar o processo de solicitação.

O benefício pode ser acumulado com outros programas sociais?

A legislação estadual prevê análise da situação socioeconômica da família. Cada caso pode passar por avaliação específica dos órgãos responsáveis.

Crianças adotadas têm direito ao benefício?

Não. A lei determina que o auxílio não seja concedido após adoção legal da criança ou adolescente.

Quantos órfãos do feminicídio já recebem o benefício no Acre?

Atualmente, 18 crianças e adolescentes de cinco famílias acreanas recebem o auxílio financeiro.

O benefício inclui apoio psicológico?

Sim. A legislação prevê acompanhamento psicossocial e psicoterapêutico para os órfãos do feminicídio.

Quais canais podem ser usados para denunciar violência contra a mulher?

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190 da Polícia Militar, Disque 100, Semulher e delegacias especializadas.


Canais de Denúncia Contra Violência Doméstica e Feminicídio

A Polícia Militar do Acre disponibiliza canais específicos para denúncias:

  • (68) 99609-3901
  • (68) 99611-3224
  • (68) 99610-4372
  • (68) 99614-2935

Outros canais de apoio e denúncia

  • Polícia Militar: 190
  • Samu: 192
  • Disque 100
  • Semulher: (68) 99930-0420
  • WhatsApp do Ministério da Mulher: (61) 99656-5008
  • Delegacias especializadas
  • Ministério Público
  • Atendimento em Libras por videochamada

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Ana Cristina - Redatora